g1
Furto de vírus na Unicamp: PF diz que também investiga marido de pesquisadora e descarta risco à população Arquivo pessoal A Polícia Federal confirmou, na tarde desta quarta-feira (25), que também investiga o envolvimento de Michael Edward Miller no furto de amostras de vírus do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp. Ele é médico veterinário, faz doutorado em Genética e Biologia Molecular na universidade desde 2020 e é marido da pesquisadora Soledad Palameta Miller, que chegou a ser presa em flagrante no caso. Apesar de terem sido retiradas de uma área de nível 3 de biossegurança, o mais alto possível para se estudar agentes como vírus e bactérias em laboratórios no Brasil atualmente, a PF afirmou que as amostras não apresentam risco para a população porque foram remanejadas sem autorização mas permaneceram em laboratórios da Unicamp. A corporação aguarda análise do Ministério da Agrucultura e Pecuária (Mapa) para identificar os tipos de vírus furtados. ➡ Soledad foi presa em flagrante na segunda-feira (23), depois que a PF encontrou as amostras virais em laboratórios da universidade - veja os detalhes da ação abaixo. A pesquisadora teve a liberdade provisória concedida no dia seguinte. A defesa da docente afirmou que não há materialidade na acusação e que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. Cronologia dos fatos: 13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp 23 de março: após investigação, PF encontra material em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad atuava 23 de março: os laboratórios ficam interditados para cumprimento de mandados e a pesquisadora é presa 24 de março: Justiça concede liberdade e menciona em decisão que trata-se de vírus LEIA TAMBÉM Risco à saúde: amostras de vírus furtadas na Unicamp estavam em laboratório com maior nível de biossegurança disponível no Brasil Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concede liberdade a professora e diz que amostras levadas eram vírus Unicamp aciona Polícia Federal e interdita laboratórios após furto de material de pesquisa Após interdição de laboratórios, PF prende mulher suspeita de furtar material biológico da Unicamp Professora da Unicamp investigada por furto de vírus estuda vacinas e doenças em animais Vírus furtado na Unicamp estava em laboratório com maior nível de biossegurança Quem são os pesquisadores investigados? Em seu currículo lattes, Michael se apresenta como médico Veterinário com experiência na área de Saúde Única e medicina veterinária de animais selvagens e de produção, microbiologia, cultivo celular, genética e biologia molecular, com ênfase em biotecnologias. É colaborador em projetos de vigilância epidemiológica de vírus zoonóticos em animais silvestres, e atua em prospecção e isolamento de patógenos em ambiente de nível 3 de biossegurança (NB-3) - o mesmo nível do laboratório de onde as amostras foram furtadas. Classe de risco 3 é aquela em que o agente infeccioso apresenta alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade. São agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível 4 (máximo) de biossegurança está em construção em Campinas, com previsão de ficar pronto em 2027. Já Soledad, segundo o portal do Docente e Pesquisador da Unicamp, coordena o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos em linhas de pesquisa orientadas a vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água. ➡ A pesquisadora atuou como analista no Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer. Realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp. Em seus perfis profissionais, os dois pesquisadores dizem trabalhar com desenvolvimento de vacinas vetorizadas, protótipos de testes rápidos para diagnóstico de doenças e estabelecimento de modelos alternativos para produção de vacinas veterinárias. Soledad também destaca a atuação em diagnósticos de doenças aviárias. Os dois são sócios na empresa Agrotrix Biotech Solutions, que tem como atividade principal a pesquisa e o desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais. Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça Arte g1 Investigação e prisão de pesquisadora A investigação começou quando uma pesquisadora autorizada notou, na manhã de 13 de fevereiro de 2026, o desaparecimento de caixas com amostras virais. No dia 23 de março, a PF cumpriu mandados em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Todos os laboratórios da faculdade ficaram temporariamente interditados durante a ação. Local original: O material subtraído pertencia ao Laboratório de Virologia Animal e estava armazenado em uma área classificada como NB-3 (alta contenção biológica e rigorosos protocolos de biossegurança). Tipificação penal: Soledad foi autuada em flagrante por três crimes: artigo 29 da Lei 11.105/2005 (produzir, armazenar ou transportar Organismos Geneticamente Modificados - OGM irregularmente), artigo 132 do Código Penal (perigo para a vida ou saúde de outrem) e artigo 347 do Código Penal (fraude processual). A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa suspeita de furtar material biológico de um laboratório na Unicamp Reprodução Com a expedição do alvará de soltura, a professora responderá ao processo em liberdade, mas precisará cumprir regras determinadas pela Justiça: A docente fica obrigada a comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal, pagar uma fiança no valor de dois salários-mínimos, e está proibida de deixar a cidade de Campinas por mais de cinco dias e de sair do país sem autorização prévia Além disso, foi determinado que ela está proibida de acessar os laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação O esquema e o risco envolvido As investigações apontam que, como Soledad não possuía laboratório próprio nem acesso autorizado aos locais de segurança, ela usava a sua orientanda de mestrado para abrir as portas dos laboratórios para ela, inclusive em finais de semana. A professora possuía o consentimento prévio de responsáveis por outros laboratórios para utilizar parte de seus freezers. ⚠ Riscos à Saúde: A movimentação e o armazenamento do material biológico sensível foram feitos em ambientes não controlados, segundo a apuração. Além disso, houve o descarte de material em lixeiras comuns, o que configurou exposição da saúde de terceiros a perigo direto e iminente, de acordo com o documento da Justiça. Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Onde os materiais foram encontrados? A Polícia Federal localizou as amostras espalhadas em três locais diferentes: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): foram encontradas diversas caixas com amostras dentro de tubetes em um freezer lacrado. Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): foram localizados tubetes manipulados e abertos no espaço reservado a Soledad dentro do freezer de outra professora. Próximo ao refrigerador, havia material descartado que provavelmente já havia passado por autoclave. Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): uma grande quantidade de frascos descartados foi localizada dentro de uma lixeira. Instituto de Biologia da Unicamp Reprodução/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Go to News Site