Jornal O Globo
Nos bastidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), cresce a expectativa entre deputados para a realização de uma nova eleição à presidência da Casa assim que for publicado o acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinando a convocação do pleito. A decisão é aguardada para os próximos dias e deve desencadear uma reorganização no comando do Legislativo fluminense. Disputa no Rio: PSD diz que Castro tentou ‘burlar’ novas eleições diretas, e Cavaliere afirma que Paes estaria disposto a encarar disputa Política: PGR defende voto aberto e prazo menor para candidatos em eleição indireta no Rio; STF começa a julgar regras nesta quarta A Casa foi notificada nesta quarta-feira pelo TSE de que Claudio Castro (PL) e Rodrigo Bacellar (União) foram cassados. Com isso, o atual presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), comunicará a vacância em Diário Oficial e convocará uma sessão extraordinaria para a escolha do novo chefe do Legislativo no Rio. A expectativa é que essa votação seja realizada já nesta sexta-feira. Uma reunião do colégio de líderes está marcada para esta quinta-feira, às 9h. Nela, os deputados vão discutir detalhes da votação. Ela deve ser aberta e híbrida, com parlamentares participando presencialmente e outros de forma remota. De acordo com interlocutores de Delaroli, já há uma maioria consolidada em torno do nome do deputado Douglas Ruas (PL) para assumir a presidência da Alerj. A leitura, até esta quarta-feira, é que o parlamentar reúne cerca de 40 votos, sobretudo de partidos do campo de centro-direita, o que lhe garantiria vantagem confortável em uma eventual disputa. A movimentação, no entanto, vai além da presidência da Alerj. Aliados trabalham com o cenário de que, uma vez eleito, Ruas possa assumir o governo do estado por linha sucessória, a depender dos desdobramentos políticos e jurídicos da decisão do TSE. Nesse contexto, um acordo político vem sendo costurado para garantir estabilidade institucional. Pela proposta em discussão, Delaroli permaneceria no comando da Casa com a eventual ida de Ruas para o Executivo. A ideia, segundo parlamentares envolvidos nas negociações, é que a mudança tenha caráter transitório e não altere a estrutura de poder já estabelecida. Procurada, a Alerj informou, em nota, que aguarda a comunicação oficial do Tribunal Superior Eleitoral para adotar as medidas regimentais necessárias. Futuro de Ruas Segundo interlocutores da Procuradoria da Alerj, a eleição prevista para sexta-feira deve se limitar à escolha do novo presidente da Mesa Diretora — cargo que, pela linha sucessória, garante a ascensão imediata ao governo do estado. Na prática, o eleito substituirá Ricardo Couto e permanecerá como governador em exercício por um período de até 30 dias. Paralelamente, corre a disputa em torno da eleição para o mandato-tampão, cujo formato ainda depende de uma decisão do ministro Luiz Fux. Caberá a ele definir se prevalece o projeto aprovado pela Alerj em fevereiro ou as regras anteriores. Caso o magistrado valide a nova legislação, que prevê desincompatibilização em 24 horas e voto aberto, o deputado Douglas Ruas poderá entrar na disputa. Por outro lado, se o entendimento for pela manutenção das normas antigas, que exigem afastamento do cargo com seis meses de antecedência, nomes como o próprio Ruas, André Ceciliano (PT-RJ) e Nicola Miccione ficariam impedidos de concorrer. Nesse cenário, o presidente eleito da Alerj assumiria o comando do estado, substituiria Couto e conduziria o processo eleitoral. Para disputar o mandato-tampão enquanto estiver no exercício do cargo, no entanto, será indispensável que a lei aprovada pelo Legislativo seja considerada válida pelo Supremo. Nos bastidores, o PSD defende uma alternativa distinta: a realização de eleição direta, com convocação do eleitorado às urnas para definir o próximo governador.
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