Jornal O Globo
A disputa pelo título da Copa Africana de Nações ganhou um novo capítulo após a Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em francês) confirmar que o Senegal entrou com recurso contra a decisão que retirou da seleção o troféu conquistado em campo e o atribuiu ao Marrocos. A medida foi tomada pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 17 de março, quase dois meses após a final do torneio, realizada em 18 de janeiro. Na ocasião, o Senegal havia vencido por 1 a 0 na prorrogação, mas o resultado foi posteriormente anulado. A entidade declarou o Marrocos vencedor por 3 a 0, encerrando um jejum de 49 anos sem o título continental. O recurso apresentado pelo Senegal busca anular a decisão da CAF e restabelecer o resultado original da partida. Em comunicado, o secretário de Estado do primeiro-ministro senegalês afirmou que a decisão “contradiz” os princípios da ética esportiva. O CAS informou que formará um painel arbitral para avaliar o caso. O Senegal terá 20 dias para apresentar seus argumentos legais, enquanto a CAF terá prazo semelhante para a defesa. O diretor-geral do CAS, Matthieu Reeb, afirmou: “O CAS está perfeitamente equipado para resolver esse tipo de disputa, com a assistência de árbitros especialistas e independentes. Entendemos que equipes e torcedores estão ansiosos para conhecer a decisão final, e garantiremos que o processo arbitral seja conduzido o mais rapidamente possível, respeitando o direito de todas as partes a uma audiência justa.” A controvérsia teve origem nos minutos finais da decisão. Após o Marrocos receber um pênalti considerado controverso nos acréscimos, jogadores do Senegal deixaram o campo em protesto, interrompendo a partida por 17 minutos. Quando o jogo foi retomado, o marroquino Brahim Diaz desperdiçou a cobrança, defendida com facilidade após tentativa de cavadinha. Na prorrogação, Pape Gueye marcou o gol que garantiu a vitória senegalesa. A CAF, no entanto, entendeu que a saída de campo violou o artigo 82 do regulamento da competição, que prevê derrota e eliminação para equipes que se recusarem a jogar ou abandonarem a partida sem autorização do árbitro. O artigo 84 determina derrota automática por 3 a 0 nesses casos. A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) declarou que a decisão “nunca teve como objetivo questionar o desempenho esportivo das equipes envolvidas”, mas sim assegurar o cumprimento das regras. “Desde o momento em que a final foi interrompida, a FRMF deixou clara sua posição e objetivo: a aplicação dos regulamentos da competição”, afirmou. Do lado senegalês, a reação foi contundente. Em comunicado, a federação classificou a decisão como “iníqua, sem precedentes e inaceitável”, afirmando que ela “lançou descrédito sobre o futebol africano”. A entidade acrescentou que iniciará “com a maior brevidade possível” o processo de apelação no CAS. O secretário-geral da federação foi ainda mais incisivo, chamando o veredito de “uma vergonha para a África”, em entrevista à emissora pública do país. O caso, que pode levar cerca de um ano para ser julgado, mantém em suspenso o desfecho oficial do torneio e impacta diretamente jogadores de destaque internacional. Entre os senegaleses afetados estão Sadio Mané, Idrissa Gueye, Iliman Ndiaye, Mamadou Sarr, Nicolas Jackson, El Hadji Malick Diouf e Ismaila Sarr. Pelo lado marroquino, Noussair Mazraoui, Achraf Hakimi e Brahim Diaz celebram, por ora, o título reconhecido pela CAF. Nas redes sociais, alguns jogadores do Senegal reagiram com ironia à decisão, publicando emojis de risadas e imagens da comemoração do título conquistado em campo.
Go to News Site