Celulares podem piorar com crise de RAM; veja o que muda nas especificações
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Celulares podem piorar com crise de RAM; veja o que muda nas especificações

Trocar de celular em 2026 pode ficar mais complicado, e não apenas pela alta de preço dos eletrônicos. Além disso, um novo rumor vindo da China sugere que parte dos smartphones também pode começar a perder recursos para conter custos. Em uma postagem na rede social weibo, o leaker Digital Chat Station citou a volta de escolhas "mais simples", como versões com 8 GB de RAM e 512 GB de armazenamento, telas de 90 Hz com o notch em formato de gota, slot para chip e cartão microSD, moldura de plástico e sensor de impressão digital de curto alcance. A publicação não menciona um aparelho específico nem funciona como confirmação oficial de lançamento, mas joga luz sobre uma discussão que vem ganhando força no setor. Com a crise global de memória RAM pressionando o custo de fabricação, marcas podem ser obrigadas não só a reajustar preços, mas também a fazer cortes em especificações para manter os celulares competitivos. A seguir, o TechTudo explica o que está por trás desse cenário, por que essas mudanças podem ser vistas como downgrade e como isso pesa para quem pensa em trocar de smartphone. ➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews Quantos GB de RAM um celular precisa ter para ser bom? Alta no custo da RAM pode afetar preço e ficha técnica dos celulares Ancoay/freepik Qual é o melhor celular com 8 GB de memória RAM? Tire suas dúvidas no Fórum do TechTudo Celulares podem piorar com crise de RAM; veja o que muda nas especificações No índice abaixo, confira os tópicos que serão abordados pelo TechTudo nesta matéria. O que é a crise de memória RAM e como ela afeta os celulares? Combinação 512 GB + 8 GB de volta Molduras de policarbonato em vez de metal Telas de 90 Hz com sensores ópticos de “foco curto” Como fica quem quer trocar de celular nesse cenário? O que é a crise de memória RAM e como ela afeta os celulares? A atual crise de memória RAM é resultado de um desequilíbrio entre oferta e demanda global de componentes usados em eletrônicos. Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial (IA) aumentou de forma expressiva a procura por memória em servidores e data centers, o que levou fabricantes a priorizar esse segmento, hoje mais lucrativo. Com isso, sobra menos capacidade para abastecer o mercado de eletrônicos de consumo, como celulares, notebooks e tablets. Atualmente, a produção global de memória está concentrada principalmente em Samsung, SK Hynix e Micron. Essas empresas até vêm ampliando a capacidade de fabricação, mas os efeitos dessa expansão não devem ser sentidos no curto prazo. Em alguns casos, novas fábricas só devem começar a operar a partir do fim de 2027, o que ajuda a manter a pressão sobre o setor. Na prática, esse desequilíbrio encarece a produção dos smartphones, já que, quando o custo da RAM sobe, as fabricantes passam a ter três caminhos: repassar o aumento ao consumidor, reduzir a margem de lucro ou cortar especificações para manter o aparelho competitivo. É justamente daí que surge o risco de downgrade em parte dos modelos. Alta na demanda por chips de IA pressiona mercado e pode provocar cortes em especificações de smartphones Wirestock/Freepik Esse cenário, inclusive, já aparece nas projeções do mercado. A IDC, sigla para International Data Corporation, consultoria global de pesquisa de mercado especializada em tecnologia, estima que os embarques globais de smartphones podem cair 12,9% em 2026, passando de 1,26 bilhão de unidades em 2025 para 1,12 bilhão neste ano. A consultoria também projeta alta de 14% no preço médio dos aparelhos, que pode chegar a US$ 523. Já a Counterpoint Research trabalha com um cenário menos severo para embarques, mas aponta a mesma tendência de pressão sobre os custos, especialmente entre celulares de entrada e intermediários. Em entrevista anterior ao TechTudo, o doutor em Administração e pesquisador em comportamento do consumidor Judson Gurgel explicou que os aparelhos mais acessíveis tendem a sentir esse impacto primeiro. “Modelos de entrada e intermediários tendem a sentir mais o impacto. Eles operam com margens menores e dependem fortemente de componentes importados, dólar e escala de produção. Pequenas variações de custo acabam sendo repassadas ao preço final”, afirmou. Combinação 512 GB + 8 GB de volta Entre os pontos citados pelo Digital Chat Station, um dos que mais chamam atenção é a combinação entre 8 GB de RAM e 512 GB de armazenamento. À primeira vista, a ficha pode até parecer forte, já que 512 GB ainda é bastante espaço para guardar fotos, vídeos, aplicativos e arquivos. O problema é que, em 2026, esse tipo de configuração pode indicar mais estagnação do que evolução real em parte do mercado. Isso porque, embora os 8 GB de RAM ainda sejam comuns em muitos celulares intermediários, versões com 12 GB passaram a aparecer com mais frequência em modelos mais caros e em aparelhos que prometem melhor desempenho no longo prazo. Nesse contexto, manter os 8 GB mesmo em um cenário de avanço técnico pode ser um sinal de contenção de custos, especialmente quando a fabricante preserva os 512 GB de armazenamento, que chamam mais atenção na vitrine. Moto G86 é um dos celulares que contam com 8 GB de RAM e 512 GB de armazenamento Reprodução/Motorola Na prática, isso pode ser visto como um limite de evolução. A RAM ajuda o celular a manter apps abertos, alternar tarefas com mais agilidade e envelhecer melhor ao longo dos anos. Já o armazenamento continua importante, mas não compensa sozinho uma memória operacional mais contida em aparelhos que poderiam avançar mais nesse aspecto. Molduras de policarbonato em vez de metal Outro sinal de possível corte de custos está no uso de molduras de policarbonato no lugar de estruturas metálicas. Embora a diferença pareça apenas estética em um primeiro momento, ela também interfere na sensação de qualidade e no posicionamento do aparelho. Hoje, até parte dos celulares intermediários já traz construção mais caprichada, com laterais metálicas ou acabamento que tenta aproximar o produto de modelos premium. O Galaxy A56, por exemplo, aposta em estrutura lateral de alumínio e traseira de vidro. O metal costuma transmitir mais robustez, melhor acabamento e, em alguns casos, pode até ajudar na dissipação de calor. Galaxy S21 é um exemplo de celular com traseira de policarbonato Samsung/Divulgação Já o policarbonato é mais barato, mais leve e mais simples de trabalhar na fabricação. Apesar disso, costuma entregar uma percepção menos sofisticada. O Galaxy S21, por exemplo, usava traseira de policarbonato, mostrando como esse material pode aparecer até em aparelhos mais ambiciosos, especialmente quando a fabricante busca equilibrar custo e acabamento. Por isso, a troca de metal por plástico pode ser interpretada como downgrade, principalmente em categorias nas quais o consumidor já espera uma evolução de design e construção. É um tipo de corte que ajuda a reduzir custos sem mexer tanto nos itens mais chamativos da ficha técnica, mas que ainda aparece no toque, no visual e na experiência geral de uso. Telas de 90 Hz com sensores ópticos de "foco curto" A publicação também cita telas de 90 Hz com notch em formato de gota e sensores ópticos de “foco curto”, dois elementos que apontam para escolhas mais simples do que o mercado vinha consolidando nos últimos anos. No caso da tela, os 120 Hz avançaram bastante em 2025 e 2026, inclusive em celulares intermediários mais competitivos e até em modelos mais acessíveis, como o Galaxy A26 e Moto G06. Na prática, a taxa de atualização mais alta deixa a navegação mais fluida, melhora a rolagem em redes sociais e pode até favorecer a experiência em jogos compatíveis. Os 90 Hz ainda oferecem uma experiência mais suave do que os antigos 60 Hz, mas já ficam um passo abaixo do que vem se tornando padrão em várias categorias. Por isso, a permanência desse patamar ou sua adoção em aparelhos mais ambiciosos pode ser vista como um recuo em modelos que, em tese, deveriam evoluir de geração para geração. Painéis de 90 Hz podem indicar contenção de custos em celulares que deveriam avançar em fluidez de tela Divulgação/Samsung O notch em formato de gota reforça essa leitura, já que, em muitos aparelhos, ele já foi substituído por furos menores na tela e por desenhos frontais mais modernos, com melhor aproveitamento do painel. Se esse formato voltar a aparecer com mais força, a tendência é que seja interpretado como sinal de "reaproveitamento" de soluções antigas ou de projetos já pensados para custar menos. Já o sensor óptico de “foco curto” remete, na prática, a um leitor de digitais sob a tela mais simples. Isso porque, em aparelhos mais avançados, sensores ultrassônicos ou ópticos mais refinados costumam entregar desbloqueio mais rápido, mais preciso e mais consistente no dia a dia. Optar por uma solução inferior ajuda a reduzir custos, mas também pode afetar diretamente a experiência de uso, especialmente em um recurso acionado várias vezes ao longo do dia. Como fica quem quer trocar de celular nesse cenário? Para quem pretende trocar de celular em 2026, o desafio pode ir além de encontrar uma boa oferta. Com a crise de memória RAM pressionando os custos da indústria, parte dos aparelhos pode chegar ao mercado com fichas técnicas menos equilibradas, mesmo quando parecem atraentes à primeira vista. Em um cenário assim, olhar apenas para armazenamento, câmera ou para o fato de o modelo ser novo pode já não ser suficiente. Isso acontece porque alguns cortes podem vir disfarçados. Um celular pode manter 512 GB de espaço interno, por exemplo, mas trazer menos RAM do que o esperado para a categoria. Em outro caso, pode preservar a câmera principal e o tamanho da tela, mas recuar em construção, taxa de atualização ou leitor biométrico. Na prática, o consumidor corre o risco de pagar mais por um aparelho que evolui menos do que parece. A troca tende a fazer mais sentido quando o celular atual já virou um problema real, seja pela falta de atualizações, pela bateria muito desgastada, por falhas de hardware ou por desempenho insuficiente para trabalho, estudo e tarefas básicas. Por outro lado, quem ainda está com um smartphone em bom estado pode ter mais vantagem em observar o mercado com calma. Modelos do ano anterior e com bom custo-benefício, como é o caso do Poco X7 Pro, podem seguir mais equilibrados do que lançamentos feitos sob pressão de custo Divulgação/Xiaomi Em alguns casos, esperar pode ajudar o consumidor a entender melhor quais marcas vão repassar o aumento ao preço final e quais devem optar por cortes em especificações para segurar o valor. A estratégia mais segura, portanto, é comparar o conjunto da ficha técnica com mais atenção. Também pode ser uma boa considerar topos de linha e intermediários premium do ano anterior, que muitas vezes seguem mais equilibrados do que lançamentos já feitos sob pressão de custo. Com informações de TechTudo, weibo, TechCrunch, Counterpoint Research e gizmodo Mais de TechTudo Truques INFALÍVEIS para economizar bateria do seu celular! 4 truques INFALÍVEIS para economizar bateria do celular!

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