Jornal O Globo
Dividir a cama com animais de estimação é um hábito comum em muitos lares, associado a conforto, segurança e sensação de bem-estar. No entanto, embora tutores frequentemente descrevam noites relaxantes ao lado dos pets, pesquisas indicam que essa convivência pode interferir na continuidade e na profundidade do sono. Residenciais pet friendly: saiba como envelhecer sem abrir mão do seu animal de estimação Pets idosos: como identificar mudanças de comportamento e garantir bem-estar "É muito comum que as pessoas sintam prazer e segurança com o pet na cama. No entanto, é importante diferenciar a percepção de conforto da qualidade fisiológica do descanso, que pode ser prejudicada", explica Renata Roma, psicoterapeuta e pesquisadora com mais de 10 anos de atuação na relação entre humanos e animais. Percepção x realidade Muitos tutores relatam que dormir com o pet ajuda a relaxar e adormecer com mais facilidade, refletindo a dimensão subjetiva do repouso, o quanto a experiência é confortável e segura. Por outro lado, estudos que analisam parâmetros objetivos, como polissonografia, actigrafia e monitoramento cardíaco, mostram que movimentos noturnos do animal podem provocar microdespertares e fragmentar o descanso. A sincronia natural entre tutor e pet, que fortalece o vínculo emocional durante o dia, também influencia a noite: o animal se movimenta quando o humano se mexe, e vice-versa. "Essa interação não ocorre apenas de forma emocional. À noite, o movimento de um influencia o outro, e, a longo prazo, isso pode afetar a recuperação física e cognitiva", observa Renata. Por que continuamos compartilhando a cama Mesmo com esses impactos, muitas pessoas mantêm o hábito. A explicação está na dimensão emocional do repouso. "Durante a noite, estamos em um estado de vulnerabilidade. A presença do pet traz conforto imediato e sensação de segurança, que muitas vezes se sobrepõe à percepção de interrupções", afirma a especialista. Consequências negativas podem surgir gradualmente, afetando humor, concentração e disposição. Ainda assim, a sensação prazerosa de acordar ao lado do animal reforça o vínculo e perpetua a prática. Um olhar consciente Renata destaca que a questão não é julgar se dormir com pets é bom ou ruim, mas sim oferecer informação para decisões conscientes: "É fundamental considerar tanto os efeitos imediatos quanto os de longo prazo. Assim, cada pessoa pode avaliar se essa prática faz sentido para sua realidade e necessidades, equilibrando bem-estar emocional e físico." Dividir o leito com um animal combina conforto emocional e desafios fisiológicos. Compreender esse equilíbrio ajuda tutores a desfrutarem da companhia dos bichinhos de estimação sem comprometer a saúde ou a qualidade do sono.
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