Calor oculto no oceano explica colapso inesperado do gelo na Antártida, aponta estudo
Jornal O Globo

Calor oculto no oceano explica colapso inesperado do gelo na Antártida, aponta estudo

Um estudo recente revelou a origem de uma das mudanças mais inesperadas no clima polar: o recuo abrupto do gelo marinho da Antártida entre 2016 e 2017 pode ter sido provocado pela liberação súbita de calor acumulado nas profundezas do oceano. Frente fria semiestacionária vai trazer chuva para Rio, SP e Minas nesta quarta-feira A descoberta, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, baseada em cerca de 20 anos de dados coletados por boias Argo, altera a compreensão científica sobre o comportamento do gelo no hemisfério sul e levanta alertas sobre mudanças climáticas futura. Entre 2007 e 2015, o gelo marinho antártico apresentou crescimento — um fenômeno que intrigava cientistas. A nova pesquisa aponta que esse avanço foi causado pelo aumento da água doce na superfície do oceano, reduzindo a salinidade e criando uma espécie de “tampa” que impedia a troca de calor com as camadas mais profundas. Esse processo, no entanto, teve um efeito colateral: o calor começou a se acumular silenciosamente abaixo da superfície. A partir de 2015, a intensificação dos ventos na região provocou um fenômeno conhecido como ressurgência — quando águas mais quentes das profundezas sobem à superfície. Esse movimento rompeu a barreira de água doce e liberou de forma abrupta o calor acumulado, acelerando o derretimento do gelo em larga escala, especialmente no Mar de Weddell. O gelo marinho antártico desempenha papel central no equilíbrio climático global, regulando a troca de calor e dióxido de carbono entre oceano e atmosfera. A nova explicação indica que o sistema pode ser mais instável do que se imaginava — com períodos de aparente estabilidade seguidos por colapsos rápidos.

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