Amor por objetos: entenda a condição que fez mulher 'se casar' com um bonde
Jornal O Globo

Amor por objetos: entenda a condição que fez mulher 'se casar' com um bonde

Em um mundo onde aplicativos prometem “matches perfeitos” e relações parecem cada vez mais descartáveis, uma história vinda da França chama atenção por ir na contramão — e nos obriga a repensar o próprio conceito de afeto. A protagonista não encontrou o amor em outra pessoa, mas em um objeto: um bonde. 'Loucura': Rafa Justus revela mudança na rotina e confirma que vai morar com o pai após ida da mãe para o Rio Rotina equilibrada: Nova fase de Gisele Bündchen após casamento chama atenção por estilo de vida O caso de Sandra Rahm, de 44 anos, voltou a viralizar após a divulgação de seu relacionamento com um bonde identificado como 3013. Segundo relatos publicados pelo tabloide britânico The Mirror, ela afirma ter oficializado simbolicamente a união e desenvolvido um vínculo afetivo profundo com o veículo, descrevendo sentimentos de amor, segurança e pertencimento. A relação, segundo ela, é vivida com a mesma intensidade de um relacionamento humano. A história rapidamente viralizou nas redes sociais, provocando reações diversas Reprodução/ Instagram A história reacendeu o debate sobre a chamada objetofilia — condição rara em que indivíduos desenvolvem atração emocional ou sexual por objetos inanimados. Ainda pouco compreendida pela ciência, a objetofilia costuma ser cercada por estigma, curiosidade e questionamentos sobre saúde mental, autonomia e os limites das relações afetivas. Embora pareça incomum, o caso de Rahm não é isolado. Ao longo das últimas décadas, outras histórias semelhantes ganharam notoriedade e ajudaram a dar visibilidade ao fenômeno. Erika beija um dos ferros estruturais da torre Eiffel Reprodução Uma das mais conhecidas é a de Erika La Tour Eiffel, ex-militar norte-americana que afirmou ter se casado com a Torre Eiffel em 2007, chegando a adotar o nome do monumento. Antes disso, ela já havia relatado vínculos afetivos com outros objetos, como um arco esportivo e um fragmento do Muro de Berlim. Linda Ducharme vive um relacionamento com Bruce, um brinquedo do parque de diversões Skyrider, no documentário 'Animism' Divulgação Nos Estados Unidos, Linda Ducharme também chamou atenção ao declarar seu amor por uma roda-gigante que batizou de Bruce. A relação teria começado ainda na década de 1980, quando ela trabalhava em um parque de diversões. Anos depois, realizou uma cerimônia simbólica para oficializar o compromisso com o brinquedo. De acordo com o Mirror, o jovem decidiu se casar com 'a comida da sua vida' depois de concluir que as relações humanas são difíceis Reprodução Há ainda relatos mais pontuais, como o de um jovem russo que realizou uma cerimônia não oficial para “se casar” com uma pizza, justificando que relações humanas seriam “complexas demais”. Em outro caso, um homem em Taiwan afirmou ter se casado com uma boneca por acreditar que ela abrigava o espírito de sua falecida esposa. Especialistas apontam que a objetofilia pode ter diferentes origens. Em alguns relatos, há associação com experiências traumáticas, dificuldade de estabelecer vínculos interpessoais ou busca por relações que ofereçam controle e previsibilidade — características ausentes nas dinâmicas humanas. Em outros casos, porém, os próprios envolvidos rejeitam a ideia de patologia e defendem que vivem relações legítimas, baseadas em afeto real. A ausência de consenso científico e o número reduzido de estudos tornam difícil estabelecer uma definição única. Ainda assim, o tema vem sendo gradualmente incorporado a debates mais amplos sobre diversidade de experiências afetivas e os limites do que se entende por relacionamento. Nas redes sociais, o caso mais recente dividiu opiniões. Enquanto parte dos usuários reagiu com humor ou estranhamento, outros defenderam o direito individual de estabelecer vínculos fora dos padrões tradicionais.

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