Ex-modelo brasileira acusa aliado de Trump de abuso sexual e violência doméstica
Jornal O Globo

Ex-modelo brasileira acusa aliado de Trump de abuso sexual e violência doméstica

A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro descreve o ano de 2002 como o “início de um pesadelo”. Aos 17 anos, ela embarcou no avião de Jeffrey Epstein, onde afirma ter visto cerca de 30 meninas com o financista e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell. Meses depois, iniciou um relacionamento com o italiano Paolo Zampolli, a quem ela acusa de abuso sexual e violência doméstica. Amanda e Zampolli viveram juntos por 19 anos e, hoje, disputam na Justiça americana a guarda do filho, um adolescente de 15 anos. Entrevista exclusiva| Brasileira acusa aliado de Trump de usar sua influência para deportá-la dos EUA em meio à disputa pela guarda do filho 'Tinha umas 30 meninas, bonitas e bem novinhas' | Brasileira conta o que viu durante voo no avião de Jeffrey Epstein Em entrevista ao GLOBO, Amanda diz que o abuso sexual aconteceu na mansão de cinco andares em Gramercy Park, Nova York, que ela e Zampolli dividiam. No dia seguinte a uma festa, ele teria comentado casualmente que havia tido relações com ela — e que Amanda não se lembraria porque estava dormindo, havia desmaiado. — Eu falei: "Isso se chama estupro. Eu fui abusada". Ele reagiu com uma risada — relata Amanda, que afirma ter sido agredida em outra ocasião por se recusar a fazer sexo com Zampolli. Eram sete horas da manhã, e ela estava se arrumando para ir trabalhar. Amanda Ungaro fala de sua relação com Paolo Zampolli, seu ex-marido — Estava me arrumando quando ele veio para cima de mim e me deixou toda marcada. Foi assim que procurei um advogado e começou o processo na Suprema Corte, em 2018, para eu poder me separar — lembra a ex-modelo. A violência não aconteceu de uma hora para outra. Amanda relata que a partir do nascimento do filho do casal começou a ficar claro que o estilo de vida dos dois não era mais compatível. Ela diz que estava cansada das intermináveis festas que iam noite adentro em sua casa, e começou a questionar a relação. — Quando eu estava grávida, pedi muito para ele diminuir o ritmo de festas, isso de sair todos os dias, e ele sempre ignorou — conta Amanda. — Quando o Giovanni nasceu, ele estava na Provocateur [club nova-iorquino], festejando com os amigos dele e eu no hospital tendo meu filho. Donald Trump na Casa Branca A chegada de Donald Trump à Casa Branca teria sido, segundo Amanda, outro fator importante para que a dinâmica de seu relacionamento com Zampolli fosse alterada. — Quando o Trump ganhou a primeira eleição, em 2016, o Paolo achou que ele também tinha sido eleito presidente. Aquilo mexeu muito com a cabeça dele. Ele se transformou completamente, e isso acabou piorando ainda mais o nosso relacionamento que já estava em crise. Amanda conta que ela e Zampolli passaram a ser convidados para todos os eventos do casal Donald e Melania Trump. Nas festas de Ano Novo realizadas em Mar-a-Lago, clube de Trump na Flórida, ela e Zampolli e um outro casal eram os únicos a dividir a mesa com o presidente e a primeira-dama. — Na verdade, o Paolo era muito mais próximo da Melania do que do Trump. Eles sempre trocavam mensagens. Era ela quem nos convidava para os eventos e quem mandava presentes para o meu filho. No aniversário do Giovanni, a primeira ligação era sempre dela — conta. Separação nos tabloides Após o episódio de violência doméstica, Amanda decidiu terminar o casamento. O rompimento entre ela e Zampolli ganhou destaque na imprensa americana em 2018, quando o tabloide Page Six noticiou que o italiano defendia que, apesar de quase duas décadas de relacionamento, ele e Amanda não eram legalmente casados. Isso, segundo Zampolli, impediria a ex-companheira de pleitear pensão alimentícia. À época, ele também afirmou ter acionado autoridades do governo Donald Trump por temer que Amanda levasse o filho do casal, Giovanni, para o Brasil, dizendo que receberia alertas caso ela tentasse deixar o país com a criança. A reconciliação aconteceu, e Zampolli atribuiu ao próprio Trump a mediação. Segundo ele, Giovanni repetia que “o presidente disse que papi e mama deveriam ficar sempre juntos”. Amanda, descrita por ele como “uma mãe incrível”, teria concordado em retomar o relacionamento porque o filho desejava “uma família unida — não um tribunal”. A brasileira contesta essa versão. Ela afirma que, antes da reconciliação, os dois participaram de um evento na Casa Branca, onde Trump conversou diretamente com Zampolli. — O Trump chamou o Paolo de lado e perguntou: “Vocês voltaram? Como está o relacionamento?”. O Paolo respondeu que estávamos tentando, e o Trump disse: “Você deveria ficar com a mãe do seu filho, porque ela é a mãe do seu filho. Vocês têm uma família” — relata. O relacionamento terminou definitivamente em 2021, após relatos de um caso extraconjugal de Zampolli, à época dividido entre Nova York e compromissos em Washington durante o primeiro mandato de Trump. Desde então, Amanda reabriu o processo judicial para disputar a guarda de Giovanni. Como mostrou reportagem de O GLOBO, ela foi deportada para o Brasil em outubro de 2025 em meio à disputa e acusa o ex-companheiro de ter usado sua influência no governo americano para provocar sua prisão e deportação. O que diz Paolo Zampolli Procurado pelo GLOBO, Zampolli afirmou desejar apenas “o melhor” para a ex-companheira. Ao ser questionado sobre as acusações de Amanda de que estaria por trás de sua prisão e posterior deportação, classificou as alegações como “absurdas”. Ele terminou a ligação e não respondeu aos outros questionamentos da reportagem.

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