Jornal O Globo
A pouco mais de 60 quilômetros da costa da Venezuela, fica um pequeno paraíso chamado Curaçao. Parte das ilhas ABC — ao lado de Aruba e Bonaire, territórios especiais autônomos dos Países Baixos —, está fora da rota dos furacões que atravessam o Caribe entre agosto e outubro. E este é apenas o primeiro de muitos motivos para visitar o país insular em qualquer época do ano. A lista inclui um punhado de praias com água cristalina, um centro urbano tombado pela Unesco e até um festival musical de nível internacional. Curaçao North Sea Jazz Festival: saiba como foi a 11ª edição do evento, com Ricky Martin e Snoop Dogg Saiba mais: O Algarve é hoje uma das regiões com mais estrelas Michelin de Portugal Preocupada em lidar com o crescimento significativo no turismo de forma responsável, a ilha lançou, em parceria com a ONG Sustainable Travel International, um estudo para entender como o aumento de visitantes pode beneficiar a população local sem prejudicar os recifes, as áreas verdes e o patrimônio cultural. — Nossa prioridade é garantir que o turismo caminhe lado a lado com a sustentabilidade — destaca Elaine Hart-Francisca, gerente regional para América Latina e Caribe do Conselho de Turismo de Curaçao. — Queremos proteger nossos tesouros mais valiosos para as futuras gerações. "Playa Forti", em Curaçao Divulgação Com quase 40 praias — algumas, de hotéis e resorts —, Curaçao tem cenários paradisíacos a perder de vista. Na Costa Oeste, onde se concentram as faixas de areia mais acessíveis, estão algumas das mais famosas (e paradisíacas), como Cas Abao, Porto Marie e Kenepa Grandi. Em todas elas, um traço em comum: a água cristalina, que muda do azul-turquesa ao verde-esmeralda em questão de segundos, dependendo da hora, da incidência do sol, da profundidade e da presença de corais — os recifes que cercam a ilha abrigam cerca de 65 espécies de corais e mais de 350 tipos de peixes marinhos. Para quem ainda não quer se aventurar em mergulhos mais profundos, o snorkel é uma excelente opção. Mesmo nas áreas mais rasas das costas Oeste e Sul já é possível se surpreender com a vida marinha. Já o litoral nas regiões ao Norte e a Leste tem características diferentes: com mar mais agitado e terreno rochoso, são regiões de beleza cênica, mas pouco — ou nada — indicadas para mergulhos. História viva Em Willemstad, capital de Curaçao, o passado colonial se faz presente de inúmeras maneiras, inclusive através da arquitetura Divulgação A maneira mais fácil para os brasileiros chegarem a Curaçao é pela Copa Airlines (via Panamá), pela Avianca (via Bogotá) ou com os serviços sem escalas que a Azul opera durante o verão, a partir de Belo Horizonte. E a principal porta de entrada é a capital, Willemstad, onde o passado colonial da ilha se revela de muitas maneiras. Quem prestar atenção aos sons ao redor pode ouvir os três idiomas oficiais do país: holandês, inglês e papiamento — esta, uma língua criada pelos ex-escravizados com elementos de português, espanhol, holandês, inglês e idiomas africanos. Com suas casinhas coloridas, que combinam influências holandesas, caribenhas e africanas, o centro histórico de Willemstad é, desde 1996, listado como Patrimônio Mundial pela Unesco. Além do valor arquitetônico, a região carrega um importante significado histórico: ponto-chave entre Europa, África e Américas, o Porto da Baía de Santa Ana — que separa os bairros de Punda e Otrobanda — foi, entre os séculos XVII e XVIII, um dos principais centros de comércio de pessoas escravizadas no Caribe. O centro histórico de Willemstad é, desde 1996, listado como Patrimônio Mundial pela Unesco Divulgação A escravidão foi abolida na ilha em 1863 — 25 anos antes da Lei Áurea, no Brasil. Em 1999, Curaçao inaugurou o Museu Kurá Hulanda, que fica na capital e preserva a memória da diáspora africana na região. Mas o passado também pulsa nos costumes ainda vivos, seja nas oficinas de tambú (tradição de ritmo e canto) ou de mara lensu (arte de amarrar lenços em celebrações), entre outras. Uma parada obrigatória no distrito de Otrobanda é o Netto Bar, onde até Pelé já esteve, em 1959, por conta de um amistoso do Santos. Não se sabe se ele provou o tradicional rum verde (ròm bèrdè, em papiamento), produzido artesanalmente pelo estabelecimento, mas há quem diga que “se você não o experimentou, você não visitou de verdade Curaçao”. Com fotos e objetos antigos espalhados pelas paredes e pelo teto, o pequeno bar é como uma viagem no tempo. Para os amantes de licor, vale a pena visitar a destilaria Landhuis Chobolobo. É lá que se produz o famoso Blue Curaçao — aquele da coloração azul vibrante, feito com laranjas nativas da ilha. Rum com passas, tamarindo e café são outros sabores que você pode encontrar — e provar. Música internacional Ricky Martin foi um dos grandes destaques da 11ª edição do Curaçao North Sea Jazz Festival Curacao North Sea Jazz Festival/Divulgação Desde 2010, a ilha abriga o braço caribenho de um dos festivais de música mais importantes dos Países Baixos. Pelo Curaçao North Sea Jazz Festival, já passaram nomes como Bruno Mars, Mariah Carey, Prince, Diana Ross, Enrique Iglesias e Maluma. Na 11ª edição, em agosto de 2025, estiveram presentes Ricky Martin, Snoop Dogg, Gilberto Santa Rosa e os brasileiros Hamilton de Holanda e Ivan Lins, entre outros. — O line-up tem que ser uma mistura de artistas que atraiam tanto o público local quanto o internacional. Por isso, sempre tem que haver um bom pop latino, salsa e coisas do tipo. O formato em Curaçao é muito mais amplo do que na Holanda — comenta Junior van der Stel, gerente de marketing e comunicação da marca North Sea Jazz. Na edição de 2024 (ano em que a ilha bateu recorde de visitantes internacionais, com 700 mil turistas), o evento recebeu mais de 6.200 pessoas de outros países. A 12ª edição do festival — cuja programação ainda não foi anunciada — será nos dias 3, 4 e 5 de setembro. O público na 11ª edição do Curaçao North Sea Jazz Festival Curacao North Sea Jazz Festival/Divulgação Ricardo Pinheiro viajou a convite do Conselho de Turismo de Curaçao.
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