Jornal O Globo
Mais de 14 mil cavalos selvagens no oeste dos Estados Unidos deverão ser capturados e transferidos para currais ao longo de 2026, segundo plano federal que tem gerado críticas de defensores dos direitos dos animais e de autoridades estaduais. Leia também: Hipopótamo grávida mata veterinária que tentou tirar sua temperatura em zoológico na Índia Ato de vandalismo: Jovem é condenada a multa e serviço comunitário por colar olhos em escultura pública avaliada em R$ 497 mil na Austrália De acordo com reportagem do The Colorado Sun, a iniciativa integra uma estratégia mais ampla do Bureau of Land Management (BLM) para controlar o crescimento das populações de cavalos selvagens diante do agravamento da seca e da escassez de recursos em terras públicas. O cronograma, divulgado em 13 de março, abrange estados como Arizona, Califórnia, Colorado, Indiana, Nevada, Montana, Oregon, Utah e Wyoming. Apenas no Colorado, ao menos 1.111 animais estão previstos para remoção. No estado, a operação será realizada em três etapas, duas delas com uso de helicópteros para conduzir os mustangs até currais. A maior ação está prevista para agosto, quando 911 cavalos deverão ser capturados na região de Piceance-East Douglas, uma área de cerca de 200 mil acres próxima à cidade de Meeker. A medida tem enfrentado resistência. Ativistas e autoridades locais, incluindo o governador do Colorado, Jared Polis, pedem que o BLM abandone o uso de helicópteros e adote métodos considerados mais humanitários. O órgão, no entanto, sustenta que a remoção é necessária. Vídeo: Caiaque vira em meio a ventos fortes, mulher morre e cachorro sobrevive agarrado à embarcação nos EUA "Quando os rebanhos crescem mais rápido do que a terra pode suportar, isso coloca pressão sobre as terras públicas e sobre os cavalos", afirmou o porta-voz do BLM, Steven Hall, acrescentando que o Colorado enfrenta condições recordes de seca, o que compromete a disponibilidade de água e alimento. O objetivo da agência é reduzir a população de cavalos selvagens no estado de cerca de 1.727 para 616 animais. Ainda assim, o plano — especialmente o uso de helicópteros — tem provocado reação negativa. Defensores dos animais alertam que as capturas aéreas podem causar ferimentos ou até a morte dos cavalos, que são perseguidos por longas distâncias em terrenos difíceis. Eles defendem que os animais permaneçam livres e que o controle populacional seja feito por meio de métodos contraceptivos. "Se há um problema de superpopulação de cavalos, existem outros meios que podem ser adotados, como o uso de controle de natalidade", disse Maya Sinstress, que protestou contra o plano em frente a um escritório do BLM em Nevada. "Em vez de capturar todos esses cavalos e burros selvagens e colocá-los em algo como centros de detenção, onde não são devidamente cuidados e podem ser vendidos para abate, há outras soluções." Segundo autoridades, o BLM pretende ampliar o uso de controle de fertilidade, incluindo a aplicação de vacinas em cerca de 200 éguas para evitar a gravidez por vários anos. As remoções de cavalos selvagens têm se intensificado nos últimos anos. Entre 2020 e 2023, cerca de 50 mil cavalos e burros foram retirados de áreas no oeste dos EUA — aproximadamente o dobro do registrado nos quatro anos anteriores, ainda de acordo com o The Colorado Sun.
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