Constrangimento por top de academia: saiba como agir ao ser questionado pela roupa usada em treino
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Constrangimento por top de academia: saiba como agir ao ser questionado pela roupa usada em treino

Advogada orienta mulheres a como agir caso sofram constrangimento na academia O caso da engenheira Poliana Frigi, que afirma ter sido constrangida após ser orientada por uma funcionária de academia a cobrir o top durante o treino, em São José dos Campos (SP), levantou uma série de questionamentos — entre eles, como alunos devem agir ao se sentirem constrangidos pela forma como se vestem durante as atividades. Segundo a engenheira, a situação ocorreu em uma unidade da John Boy Academia. Poliana relata que uma funcionária pediu que ela vestisse uma camiseta por cima do top e mencionou a presença de “homens casados” no local como justificativa — leia mais abaixo. Consultada sobre o caso, a advogada Raquel Marcondes orienta que as pessoas que se sentirem vítimas de constrangimento em estabelecimentos como academias adotem as seguintes medidas: registrar o ocorrido: é fundamental reunir provas, o que pode ser feito por meio de vídeos, mensagens ou identificação de testemunhas que presenciaram a abordagem formalizar uma reclamação: a vítima deve apresentar uma queixa formal diretamente à empresa ou instituição onde o episódio aconteceu buscar auxílio oficial: a orientação inclui procurar órgãos de defesa do consumidor ou recorrer à Justiça, caso as providências internas não sejam suficientes procurar as autoridades e assessoria jurídica: a especialista recomenda que a vítima vá a uma delegacia para relatar o ocorrido e busque um advogado de confiança “A vítima pode procurar uma delegacia, relatar o ocorrido e buscar um advogado de confiança para ingressar com as medidas cabíveis, tanto na esfera penal quanto para eventual indenização”, afirma Raquel. Mulher relata constrangimento em academia após ser orientada a cobrir top durante treino: ‘disseram que havia homens casados’ Arquivo pessoal Segundo a advogada, abordagens feitas de forma pública e vexatória podem configurar constrangimento ilegal, uma vez que o uso de roupas comuns ao ambiente (como top e legging) é esperado e não justifica humilhações. “Quando a pessoa vai a um ambiente como a academia, é esperado que use roupas confortáveis e adequadas para a prática de atividade física. É comum, por exemplo, o uso de top e legging. Se alguém é constrangido por esse tipo de vestimenta, especialmente de forma vexatória ou humilhante, isso pode configurar constrangimento ilegal”, explica. “Se isso acontece de forma pública, com outras pessoas assistindo, e gera humilhação, a situação se torna ainda mais grave e pode ter repercussão tanto na esfera penal quanto na civil”, completa. Ela ressalta ainda que, embora empresas privadas possam ter regras de vestimenta, estas devem ser informadas previamente e estar previstas em contrato. “A academia pode ter regras, mas elas precisam estar previstas em contrato e ser informadas previamente. Se não há essa previsão, e a pessoa está usando uma roupa comum para aquele ambiente, não é razoável exigir mudança de vestimenta”, diz a especialista. Quando alguém é coagido por intimidação a fazer algo que a lei não exige, pode haver a responsabilização tanto do indivíduo que praticou a conduta quanto da instituição. Constrangimento na academia: o que fazer em uma situação como essa Leia também: Mulher relata constrangimento em academia após ser orientada a cobrir top durante treino: ‘Disseram que havia homens casados’ ‘Até onde vão repreender a mulher pela vestimenta?', questiona aluna que relata constrangimento por usar top em academia Após polêmica sobre cobrir top, academia de São José pede desculpa à aluna e cita revisão de protocolos de atendimento ‘Código de vestimenta’ na academia: quando o estabelecimento pode impor regras sobre as roupas de treino dos alunos? O caso Uma engenheira relatou nas redes sociais ter sofrido constrangimento dentro de uma academia de São José dos Campos (SP), no fim de semana, após ser orientada a vestir uma camiseta para cobrir o top que usava durante o treino. Segundo Poliana Frigi, ela foi questionada se o top era um sutiã e foi solicitado que ela se cobrisse para “segurança dela”, pois no local havia “homens casados”. O caso aconteceu em uma unidade da John Boy Academia, no bairro Jardim Oswaldo Cruz, e ganhou repercussão nas redes sociais, com internautas questionando a conduta do local. Em nota, a academia disse que apura o caso - leia a nota completa no final da reportagem. Mulher relata constrangimento em academia após ser orientada a cobrir top durante treino: ‘disseram que havia homens casados’ Arquivo pessoal No vídeo, Poliana Frigi afirmou que usava um top de academia quando foi abordada por uma funcionária da recepção. “Eu estava com um top de academia de uma marca conhecida no mundo fitness e fui abordada pela recepcionista perguntando se eu estaria de sutiã. Na hora eu expliquei que era um top, mostrei o logo, o tecido, e ela disse que teve gente reclamando porque a alça era muito fina”, contou. Segundo Poliana, a funcionária sugeriu que ela cobrisse o corpo por conta da presença de outros alunos. “Ela perguntou se eu não teria uma camiseta para colocar, alguma coisa para cobrir, porque tem homens casados aqui e não fica legal para mim, principalmente pela minha própria segurança. Eu fiquei em choque. Falei que não tinha camiseta e que não colocaria, porque eu estava de top”, disse. “Eu comecei a me olhar no espelho e pensar: será que eu estou com um top pequeno? Será que está aparecendo alguma coisa? Eu comecei a me sentir mal. Até onde isso vai ser normal? Até onde vão repreender mulheres pela vestimenta? Independente da roupa, eu estava com um top de academia normal. Parece que o problema sempre vai ser a mulher, e não o ambiente ou o comportamento dos outros”, lamentou a mulher. Mulher relata constrangimento sobre vestimenta em academia O que diz a academia Em nota, a John Boy Academia informou que tomou conhecimento do caso e que abriu uma apuração interna. A empresa afirmou que o compromisso é manter um ambiente “respeitoso, seguro e acolhedor” e que está revisando protocolos de atendimento e comunicação, além de promover treinamentos sobre respeito, diversidade e inclusão. Infográfico - Local onde aluna de academia relatou constrangimento por uso de top fica em São José dos Campos. Arte/g1 “Entendemos que qualquer situação que possa gerar desconforto deve ser abordada com sensibilidade, cuidado e responsabilidade. Iniciamos imediatamente uma apuração interna para compreender integralmente o ocorrido”, diz trecho da nota. A academia também declarou que tenta contato com a aluna e pediu desculpas pelo episódio. “Pedimos desculpas à nossa aluna e a todos que se sentiram afetados. Reconhecemos que erros podem ocorrer, mas estamos comprometidos em evoluir com responsabilidade e respeito.” Leia a nota da academia na íntegra: “A John Boy Academia tomou conhecimento das manifestações recentes envolvendo uma aluna em uma de nossas unidades e esclarece que o caso está sendo tratado com a máxima seriedade e atenção. Nosso compromisso sempre foi proporcionar um ambiente respeitoso, seguro e acolhedor para todos os alunos, pautado pelo respeito à individualidade e à dignidade de cada pessoa. Entendemos que qualquer situação que possa gerar desconforto deve ser abordada com sensibilidade, cuidado e responsabilidade. Por isso, iniciamos imediatamente uma apuração interna para compreender integralmente o ocorrido. Estamos buscando contato direto com a aluna envolvida para ouvi-la. Internamente, já iniciamos a revisão de nossos protocolos de atendimento e comunicação, incluindo treinamentos voltados a respeito, diversidade e inclusão para toda a equipe. A academia reforça que não compactua com condutas inadequadas ou que possam causar constrangimento e reafirma seu compromisso com a melhoria contínua de seus processos. Pedimos desculpas à nossa aluna e a todos que se sentiram afetados por este episódio. Reconhecemos que erros podem ocorrer, mas o que define uma organização é a forma como eles são enfrentados — e estamos comprometidos em evoluir com responsabilidade e respeito. Seguimos firmes em nosso compromisso de aprimorar continuamente nossos processos, sempre priorizando o bem-estar e o respeito aos nossos alunos”, diz a nota. Após polêmica sobre cobrir top, academia de São José pede desculpa à aluna e cita revisão de protocolos de atendimento Reprodução/TV Vanguarda Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

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