Jornal O Globo
Presente no noticiário das últimas semanas por questões de segurança, falta de água e obras atrasadas, o México terá três grandes ensaios para a Copa do Mundo que sediará ao lado dos Estados Unidos e Canadá a partir de junho. O primeiro deles será hoje, na semifinal da repescagem mundial entre Bolívia e Suriname, às 19h, no Estádio BBVA, em Monterrey. Na madrugada de sexta-feira, Nova Caledônia e Jamaica se enfrentam no Estádio Akron (Jalisco), em Guadalajara. Os vencedores desses duelos vão jogar com Iraque e República Democrática do Congo, respectivamente, no dia 31, nos mesmos estádios. Antes, no sábado, o novo Estádio Azteca, na Cidade do México, será reinaugurado no amistoso entre a seleção mexicana e Portugal. Ao todo, o país vai receber 13 jogos do Mundial, entre fase de grupos, segunda fase e oitavas de final. As atenções estarão voltadas sobretudo para Jalisco, que receberá quatro partidas da fase de grupos da Copa. Há pouco mais de um mês, o estado viveu uma escalada de violência ligada após o assassinato do chefe do cartel local, Nemesio “El Mencho” Oseguera. Houve bloqueios de estradas, incêndios e ameaças a prédios públicos. Alguns eventos esportivos foram cancelados. O episódio acendeu um alerta imediato no governo e na Fifa, que, rapidamente, se prometeram reforçar a segurança das três sedes do Mundial. — Foi uma semana complicada. Mas já não estamos sob risco. Os eventos culturais e esportivos já foram retomados. As avenidas estão mais vigiadas e não se fala tanto mais do assunto — afirma o jornalista mexicano Edgar García, admitindo que, em um primeiro momento, houve a preocupação de os jogos serem retirados do país. Os episódios, no entanto, ganharam repercussão mundial. A principal medida tomada pelo governo de Claudia Sheinbaum foi o anúncio da mobilização de quase 100 mil agentes de segurança para a Copa do Mundo. O plano inclui 20 mil militares, 55 mil policiais e segurança privada, além de tecnologia como drones e cães farejadores, visando combater a violência e proteger torcedores. Além da violência, o estado de Jalisco, cuja capital é Guadalajara, passa por uma crise de distribuição de água, que tem chegado turva e com mau cheiro às residências. Por causa da gavidade da situação e da falta de respostas, o governador Pablo Lemus exonerou Juárez Trueva, diretor da Siapa, responsável pela distribuição de água potável. Atraso nas obras preocupa Palco da abertura da Copa, entre México e África do Sul, dia 11 de junho, e símbolo do futebol mundial, o Azteca vai ter o primeiro teste operacional no próximo sábado, mesmo que as obras realizadas nos últimos dois anos não sejam entregues como prometido. O projeto inicial previa uma transformação mais ampla, com reestruturação completa e integração comercial no entorno. — Eles nos dizem que o estádio vai estar pronto para o amistoso, mas quando vemos como está, não percebemos muitas mudanças. Não há a sensação de que vai estar à altura dos outros estádios do Mundial — afirma García, destacando que a a mobilidade urbana é outro ponto sensível da capital mexicana.
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