Jornal O Globo
O resgate da baleia jubarte encalhada próximo a Niendorf, no norte da Alemanha, entrou no quarto dia nesta quinta-feira (26), em meio a ventos fortes e uma operação considerada complexa. Segundo a emissora NDR, uma escavadeira flutuante passou a ser utilizada na tentativa de abrir caminho para que o animal retorne a águas mais profundas. Sons abafados e sinais de fraqueza: baleia encalhada mobiliza força-tarefa na Alemanha; vídeo Séculos depois, ‘Moby Dick’ se confirma: cachalotes são registrados dando cabeçadas pela primeira vez De acordo com a NDR, a baleia apresentou sinais de resposta e chegou a se mover, girando cerca de 90 graus. O biólogo marinho e ativista Robert Marc Lehmann mergulhou até o animal e relatou que ele reagiu ao contato, mantendo os olhos abertos e emitindo sons. “Ele está reagindo, está com os dois olhos abertos, está vocalizando, mas está incrivelmente inseguro e assustado”, disse à emissora. Lehmann afirmou ainda que há uma corda pendurada na boca do animal e avaliou que as chances de resgate são reduzidas, embora ainda exista possibilidade. “Ainda há vida nele”, declarou após sair da água. Assista: ONG diz que esperanças para baleia jubarte encalhada na costa alemã estão diminuindo Estratégia para retirada do banco de areia A principal estratégia agora é a abertura de um canal no banco de areia onde a baleia está presa. Segundo Stephanie Groß, do Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW), citada pela NDR, a faixa de areia tem entre 50 e 60 metros de largura e será necessário escavar de três a quatro metros para permitir que o animal volte a nadar. O prefeito de Timmendorfer Strand, Sven Partheil-Böhnke, explicou que as máquinas precisam avançar até a cabeça da baleia e que também se busca acostumar o animal ao barulho da operação. Em caso de sucesso, embarcações estão de prontidão para conduzi-la em direção ao Mar do Norte. Dimensões e estado de saúde preocupam Medições indicam que a baleia tem entre 12 e 15 metros de comprimento e pesa cerca de 15 toneladas, segundo Joseph Schnitzler, também do ITAW. O tamanho dificulta qualquer tentativa de remoção. Especialistas relatam ainda que a pele do animal está danificada, possivelmente em razão da baixa salinidade do Mar Báltico, e que aves marinhas têm pousado sobre seu corpo. Embora não esteja visivelmente desnutrida, a baleia apresenta sinais de fraqueza. A NDR informou que o animal emite sons “profundos e abafados” de forma recorrente. Especialistas ouvidos pela emissora indicam que a baleia pode ser um macho jovem que se perdeu ao seguir cardumes de arenque. O biólogo Boris Culik aponta que ruídos subaquáticos de navios também podem desorientar os animais, enquanto outros fatores, como tempestades solares, podem interferir em sua navegação. Há ainda a possibilidade de que o animal tenha encalhado deliberadamente. Segundo a NDR, integrantes de organizações ambientais consideram que algumas baleias procuram águas rasas quando estão debilitadas, possivelmente como forma de descanso final. Galerias Relacionadas Condições adversas no Mar Báltico O ambiente do Mar Báltico é considerado hostil para baleias jubarte. A oferta de alimento é menor do que no Mar do Norte, e a salinidade reduzida pode comprometer a pele e o metabolismo do animal, facilitando infecções. Além disso, a região não abriga populações da espécie, apenas toninhas-comuns são nativas dali, o que dificulta ainda mais a orientação da baleia. A presença de cordas e restos de rede no corpo do animal também levanta questionamentos. Um pescador local relatou à NDR ter visto uma corda grossa enrolada na baleia no momento do encalhe. Não está claro se o material é de pesca ou de embarcações. Organizações ambientais destacam que redes perdidas no mar, conhecidas como “redes fantasmas”, podem permanecer por séculos no ambiente, continuando a capturar animais. Desafios do resgate e prognóstico Devido ao peso, baleias encalhadas raramente conseguem se libertar sozinhas. Métodos como cordas ou colchões de ar foram descartados neste caso por risco de ferimentos. Além disso, o estresse causado pelas tentativas de resgate pode agravar o estado do animal. Segundo especialistas, o baixo nível da água representa outro risco: o próprio peso da baleia pode comprimir seus órgãos, dificultando a respiração. A operação mobiliza autoridades, cientistas e voluntários, enquanto curiosos se concentram na região. A polícia reforçou o isolamento da área e pede que o público não se aproxime, nem por terra, água ou drones. Os custos da operação ainda são incertos, mas, segundo o prefeito local, o município assumiu inicialmente as despesas. “A prioridade agora é salvar o animal”, disse à NDR. Imagens da baleia circulam nas redes sociais NEWS5 / AFP O que aconteceu até agora A baleia está encalhada desde a noite de segunda-feira (23), quando foi localizada após relatos de sons incomuns vindos do mar. Desde então, diversas tentativas de resgate foram realizadas sem sucesso, incluindo a criação de ondas por embarcações e a tentativa de escavação do fundo marinho, interrompida devido à compactação da areia. Especialistas acreditam que o animal pode ser o mesmo que foi visto anteriormente em outras áreas do Mar Báltico nas últimas semanas.
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