Galípolo diz que maioria da população paga mais de 100% de juros e defende discussão estrutural
Jornal O Globo

Galípolo diz que maioria da população paga mais de 100% de juros e defende discussão estrutural

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que a maioria da população brasileira acessa o mercado de crédito por linhas emergenciais, mais caras, o que impõe um custo maior que 100% ao ano em termos de taxas de juros. O presidente do BC reconheceu que os juros do rotativo do cartão são punitivos e defendeu uma discussão estrutural para dar mais alternativas saudáveis à sociedade. Em coletiva de imprensa, Galípolo detalhou os números de cada modalidade de crédito. De acordo com números de janeiro, 101 milhões de pessoas acessam o rotativo do cartão de crédito, modalidade mais cara do mercado, em média de 424,5% ao ano, de acordo com o dado referente a janeiro. O acesso ao consignado, por sua vez, é de quase 30 milhões pessoas, com taxas que variam, em média, de 22% (público) a 51% (privado). Já 49 milhões de pessoas acessam o não consignado, com taxas de 100%. – A grande maioria está pagando taxa acima de 100% (ao ano) nas linhas de crédito emergencial, o que envolve uma discussão estrutural desse arranjo – defendeu o presidente do BC. O presidente destacou que o custo imposto ao cidadão pelo rotativo é muito alto, mas que não é uma questão simples de se endereçar. – Não são questões simples de endereçar. Precisamos trabalhar cada vez mais em alternativas que vão garantir à população que tenha uma escolha que oferece mais vantagens, não cercear e retirar o que ela tem. Galípolo observou que o muro inglês, regra imposta em 2024 que impede que o custo do empréstimo supere o dobro da dívida inicial, cumpriu seu papel, mas que há limitações em virtude do efeito na oferta de crédito. – Talvez a extensão dessa política tem que ser sempre ponderada no que eu disse para o diesel. Toda vez que põe um limite de preço isso incorre em um limite de oferta. O que é pior? O que crédito mais caro ou que eu não posso acessar. O presidente do BC afirmou que é preciso pensar em uma solução que reduza a percepção de risco das instituições financeiras que concedem crédito e que dê mais facilidade para acesso ao cidadão a linhas mais compatíveis com suas necessidades. – Ou seja, que não use o rotativo de forma recorrente como parte da sua renda, porque os juros são muito punitivos.

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