Houthis mantêm prontidão para abrir nova frente de guerra
Revista Oeste

Houthis mantêm prontidão para abrir nova frente de guerra

O Iêmen, até agora, não se envolveu na guerra que o Irã trava contra Estados Unidos (EUA) e Israel. Tem pesado o fato de os estoques de armamentos do grupo terrorista Houthi estar no limite, em função da redução do fornecimento do Irã. Ainda assim, o movimento aliado de Teerã, sinalizou nesta quinta-feira, 26, que pode entrar no conflito a qualquer momento. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste Dirigentes do movimento afirmam que suas forças estão em prontidão militar e acompanham atentamente os desdobramentos da guerra antes de decidir quando agir. Segundo um líder houthi ouvido pela Reuters sob condição de anonimato, todas as opções permanecem sobre a mesa, embora a decisão final dependa da liderança política e militar do grupo. Até o momento, a avaliação interna é de que o Irã segue resistindo aos ataques e conduzindo o confronto em termos favoráveis. Mesmo sem se envolver diretamente desde o início da ofensiva norte-americana e israelense contra Teerã, os houthis continuam sendo vistos como um fator potencial de escalada regional. Analistas afirmam que o movimento adota uma postura calculada, em parte para evitar retaliações diretas de Israel ou dos EUA , sobretudo depois de grandes perdas sofridas em 2025, quando ataques aéreos israelenses mataram dirigentes de alto escalão em Sana. Apesar dessas perdas, especialistas consideram que o grupo mantém ainda certa capacidade militar. Os houthis dispõem de drones e mísseis capazes de atingir Israel, navios no Mar Vermelho e também alvos em países do Golfo. Caso o conflito se prolongue ou haja ataques diretos contra áreas sob seu controle, o movimento poderia ampliar rapidamente seu envolvimento. Existe ainda a possibilidade de abertura de uma nova frente no estreito de Bab al-Mandab, passagem estratégica localizada na saída sul do Mar Vermelho. O corredor marítimo conecta rotas comerciais que seguem para o Canal de Suez e é um dos principais pontos de estrangulamento do comércio global. O canal tem cerca de 29 quilômetros em seu ponto mais estreito e concentra parte essencial do fluxo marítimo internacional, especialmente o transporte de petróleo e combustíveis provenientes do Golfo em direção ao Mediterrâneo e a mercados asiáticos. Com o fechamento de fato do Estreito de Ormuz em meio à escalada militar, qualquer interrupção adicional em Bab al-Mandab ampliaria o impacto econômico mundial do conflito. O fechamento de Ormuz, até agora, está restrito a países aliados dos EUA. Os houthis já demonstraram capacidade de provocar esse tipo de interrupção nas rotas marítimas. Depois do ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e a guerra em Gaza, o grupo iniciou uma campanha de ataques contra navios no Mar Vermelho, em apoio aos palestinos. Houthis já vêm atuando em favor do Irã Entre o fim de 2023 e 2025, essas ações resultaram na morte de pelo menos nove tripulantes e no afundamento de quatro navios, além de provocar uma forte desorganização nas rotas marítimas. Antes da crise, cerca de US$ 1 trilhão em mercadorias transitava anualmente por essa via. Leia mais: "Tratados internacionais: o que são e como funcionam" Apesar da retórica de apoio ao Irã, analistas observam que a liderança houthi tenta preservar a imagem de autonomia política. O movimento evita declarar publicamente que age sob ordens de Teerã, mesmo sendo considerado parte do chamado “eixo da resistência” alinhado ao regime iraniano. Segundo especialistas em segurança regional, os houthis podem funcionar como uma carta estratégica que Teerã guarda para fases posteriores da guerra. Caso o conflito entre Irã, Israel e EUA se intensifique, a abertura de uma frente no sul do Mar Vermelho ampliaria a pressão militar e econômica sobre os inimigos iranianos. No Iêmen, a população acompanha com apreensão os desdobramentos da guerra regional. Muitos moradores chegaram a temer que bombardeios atingissem rapidamente a capital Sana. Até agora, porém, o país permanece apenas como espectador de um conflito que cresce ao seu redor, e cuja decisão de participação ainda depende da liderança houthi. Leia também: "A voz da liberdade" , reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 309 da Revista Oeste O post Houthis mantêm prontidão para abrir nova frente de guerra apareceu primeiro em Revista Oeste .

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