Jornal O Globo
Em meio à indefinição política sobre quem comandará o governo do estado, pesquisadores e dirigentes de instituições científicas lançam nesta quinta-feira, às 18h, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), em Botafogo, a Rede Universitária Segurança Pública para Todos RJ, batizada de “Artigo 5º”. A iniciativa reúne universidades e centros de pesquisa para produzir diagnósticos baseados em dados e influenciar políticas públicas de segurança no Rio. A articulação ocorre também em um cenário de agravamento da violência no Rio. A proposta da rede é sistematizar informações e ampliar o acesso a dados sobre a área de segurança. Integram a iniciativa pesquisadores de instituições como Fiocruz, UFRJ, Uerj, UFF e PUC-Rio, além de grupos especializados no estudo da violência e dos conflitos urbanos. Entre eles estão o Laboratório de Análise da Violência (LAV/Uerj), o Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (Necvu/UFRJ) e o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF). A mobilização ganhou força após a Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 mortos, entre eles cinco policiais. Para integrantes da rede, o episódio expôs limites de políticas centradas no confronto armado. — Queremos ser um contraponto a essa lógica e mostrar que é possível diagnosticar, planejar e executar políticas eficazes sem ferir preceitos constitucionais — afirma o pesquisador João Trajano, do LAV/Uerj. A rede também conta com o apoio de entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Associação de Docentes da UFRJ (AdUFRJ). Para os organizadores, a iniciativa busca aproximar a produção acadêmica da formulação de políticas públicas. — A segurança pública é um desafio complexo, que exige políticas baseadas em evidências e foco na proteção da vida — afirma o presidente da Fiocruz, Mário Moreira. Durante o lançamento, será apresentado o portal da rede, que reunirá dados e pesquisas sobre violência e criminalidade, com acesso aberto ao público. A programação inclui ainda apresentações de estudos e um debate entre dirigentes de instituições sobre o papel da ciência na área de segurança pública.
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