Jornal O Globo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira que a direção do BRB tem se empenhado para encontrar uma solução para cobrir o rombo deixado com as transações com o Banco Master. Ele ressaltou que essas medidas envolvem uma saída a ser apresentada pelo acionista da instituição, ou seja, o governo do Distrito Federal. — Eu tenho assistido o empenho da gestão atual do BRB para tentar equacionar a questão e achar uma solução, que é uma questão que está menos na mão da gestão efetivamente do BRB. Porque é uma questão hoje de patrimônio e não de liquidez, que banco tem que solucionar. E, sendo uma questão de patrimônio, envolve uma solução fornecida pelo acionista do banco — disse Galípolo, em entrevista coletiva, ressaltando que o BC não comenta um regulado específico. Galípolo disse ainda que, às vezes, se têm um entendimento de que algumas coisas que envolvem supervisão e o Banco Central têm uma “certa margem negocial”. — E a verdade é que a coisa aqui é muito demarcada por trilhas e coisas que precisam ser feitas a partir de eventos — afirmou. Pelas regras do BC, o banco precisa entregar até 31 de março, junto com o balanço de 2025, uma saída concreta para os problemas gerados pelas perdas prováveis com os ativos recebidos do Master em substituição aos R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito com suspeita de fraude. O regulador estimava um buraco de ao menos R$ 5 bilhões no balanço da instituição, enquanto o BRB já prevê uma reserva de recursos (provisionamento) de R$ 8,8 bilhões e a necessidade de aporte de R$ 6,6 bilhões do controlador. Caso contrário, deve ser alvo de sanções do BC. O banco já não entregou o balanço do terceiro trimestre de 2025, o que deveria ter ocorrido no ano passado. — Tenho certeza que a gestão é que está muito preocupada em conseguir publicar o balanço o mais rápido possível, porque não dar esse tipo de informação para o mercado nunca é visto de maneira positiva. Tenho consciência disso e tenho consciência que essa é uma diretoria que se move com amarras adicionais, que são as amarras próprias de quem está no setor público. Tem que passar por instâncias decisórias distintas no processo — considerou.
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