Réu por atropelar militante petista em manifestação assume presidência do PL Jovem em Sergipe
Jornal O Globo

Réu por atropelar militante petista em manifestação assume presidência do PL Jovem em Sergipe

Réu por tentativa de homicídio por atropelar um militante petista em uma manifestação, Flávio de Oliveira Rodrigues, de 36 anos, foi nomeado neste mês para comandar o diretório do PL Jovem em Sergipe. O caso ocorreu em 2024, quando Flávio era candidato a vereador, durante um ato de campanha para a então candidata à prefeitura de Aracaju Candisse Carvalho (PT). A vítima foi arrastada por cerca de dois quilômetros, presa no capô do veículo, e precisou passar por uma cirurgia na tíbia. Leia: Raquel Lyra e João Campos criticam inclusão de fotos de Erika Hilton e Salabert em lista de suspeitos em PE Cenário adverso: Correndo por fora nas prévias informais do PSD, Eduardo Leite enfrenta sucessão difícil no Rio Grande do Sul A indicação foi anunciada nas redes sociais por Moana Valadares, presidente do diretório local e vereadora da capital sergipana. De acordo com ela, Flávio, conhecido como "Flávio da Direita", é o melhor nome para ocupar o cargo por possuir "história na direita e no bolsonarismo", além de sempre ter "lutado nas ruas" pelas pautas que a sigla defende. — Pensar em PL Jovem aqui, Flavinho, é pensar no seu trabalho e na sua luta — disse Moana ao novo gestor local, que agradeceu pela indicação: — Vou fazer um trabalho aqui em Aracaju e em Sergipe para fortalecer a direita. Esse ano vamos resgatar o nosso país — disse o militante. Entenda a denúncia O caso foi enviado ao Ministério Público pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em outubro de 2024, por determinação do Secretário da Segurança Pública, João Eloy. Flávio foi denunciado por tentativa de homicídio qualificado "em razão da existência de prova da materialidade e indícios suficientes de autoria do crime", disse o MP. Flávio estava no carro na companhia de Tarcísio Bruno, Mateus Leite e Herbert Santos — este o motorista —, quando resolveram jogar uma carteira de trabalho em meio à manifestação com "o intuito de tumultuá-la", narra a denúncia. A vítima identificada como Charles Silva era um trabalhador contratado "para manter a regularidade e organização do ato político". À época, Flávio afirmou em um vídeo, contudo, que seu carro foi "cercado" por militantes petistas: — Fomos agredidos e quase linchados por covardes do PT. É uma vergonha, por causa de uma carteira de trabalho (...) Impediram que nós saíssemos do Augusto Franco (um núcleo habitacional). Um dos militantes deles subiu no capô do nosso carro (...) A nossa arma era a carteira de trabalho, e a deles eram barras de ferro. Jagunços, possivelmente aramados. Vieram para cima da gente covardemente. — disse Flávio na gravação. Já Candisse, por sua vez, declarou que "isso não é sobre política, é sobre humanidade". Ela afirmou que não pode ser aceito que a violência "seja a resposta às diferenças e às propostas de transformação social". Questionado sobre o assunto, Flávio afirmou que não possui nenhuma condenação e que, por isso, não há nenhum impeditivo para que possa trabalhar: "Não há nenhum impeditivo para que eu possa trabalhar, exercer cargo público ou em estrutura partidária. Pela lei brasileira, tenho direito à presunção de inocência e não posso ser punido antes do julgamento. Como posso ter atropelado alguém se nem ao menos estava dirigindo, estando eu no banco de trás do carro? Sigo confiando na Justiça de Sergipe para esclarecimento da verdade dos fatos", disse, em declaração concedida ao UOL. Procurados, o PL Nacional e o PL Sergipe ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto.

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