Inadimplência do aluguel volta a subir após quatro meses de queda
Jornal O Globo

Inadimplência do aluguel volta a subir após quatro meses de queda

A inadimplência do aluguel voltou a subir no Brasil em fevereiro, interrompendo uma sequência de quatro quedas seguidas. A taxa ficou em 3,35%, levemente acima dos 3,29% registrados em janeiro. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o índice era de 3,17%, também houve avanço. Os dados são da Superlógica. O movimento, embora moderado, recoloca no radar a pressão sobre o orçamento das famílias em um ambiente ainda marcado por juros elevados e inflação persistente. Para Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o dado exige atenção após meses de melhora. - A alta da inadimplência de aluguel neste início de ano, apesar de pequena, acende um alerta após quatro quedas seguidas. O cenário exige cautela: inflação e juros seguem no radar em 2026, com impacto direto sobre o orçamento das famílias. Os dados mostram que a pressão não ficou concentrada em uma única faixa de renda. Nos imóveis residenciais de alto padrão, com aluguéis acima de R$ 13 mil, a inadimplência saltou de 4,77% para 8,58%, uma das maiores variações do período. Já nas moradias mais baratas, de até R$ 1.000, a taxa também avançou, passando de 5,76% para 7,08%. Entre as faixas intermediárias, os índices ficaram mais comportados: os aluguéis entre R$ 2.000 e R$ 3.000 e entre R$ 3.000 e R$ 5.000 registraram as menores taxas, de 2,78% e 2,89%, respectivamente. No segmento comercial, o padrão se repete. Imóveis mais baratos continuam concentrando a maior inadimplência, com taxa de 7,98% na faixa de até R$ 1.000, enquanto unidades acima de R$ 13 mil aparecem na sequência, com 4,67%. A menor taxa foi observada nos contratos entre R$ 5.000 e R$ 8.000, em 4,09%. Por tipo de imóvel, tanto residenciais quanto comerciais registraram alta. A inadimplência em apartamentos subiu para 2,33%, após 2,15% em janeiro, enquanto nas casas passou de 3,74% para 3,85%. No caso dos imóveis comerciais, o índice avançou de 4,46% para 4,75%.

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