Jornal O Globo
As Forças Armadas de Israel afirmam já ter matado mais de 30 lideranças iranianas e de grupos aliados desde o início da guerra, após anunciar nesta quinta-feira a morte de Alireza Tangsiri, comandante da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A informação foi divulgada como atualização da ofensiva israelense e não teve confirmação do governo iraniano. Capacidade de defesa: Guerra no Oriente Médio expõe limites militares da Europa em meio a mobilização inédita Basij: Israel diz ter matado comandante da milícia armada do regime iraniano, em Teerã Segundo Israel, Tangsiri integrava a liderança sênior do IRGC e exercia papel central nas operações marítimas. Nomeado em 2018, ele teria conduzido o fortalecimento da força, com aquisição de milhares de armas, incluindo mísseis e minas navais. As Forças de Defesa de Israel atribuem a Tangsiri a liderança de ataques contra petroleiros e embarcações comerciais, com uso de veículos aéreos não tripulados (UAVs) e da colocação de minas no mar. Também afirmam que ele atuou na coleta de inteligência para viabilizar ações do IRGC na região. De acordo com os militares israelenses, ao longo da guerra, Tangsiri foi responsável por danos a infraestruturas em múltiplos países, incluindo áreas civis e locais associados aos Estados Unidos. Durante a chamada Operação Rugido do Leão, sua autoridade teria sido ampliada, tornando-o responsável por aprovar atividades classificadas por Israel como terroristas no domínio marítimo no sul do Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz. O comunicado também afirma que a Marinha do IRGC, sob seu comando, prestou apoio a integrantes do chamado eixo regional, especialmente aos houthis, com fornecimento de inteligência marítima e informações sobre embarcações comerciais e movimentações de navios militares, com foco no Estreito de Bab el-Mandeb. Initial plugin text Lista de alvos e avanço da ofensiva A atualização se soma a uma lista anterior divulgada por Israel, que apontava 29 lideranças iranianas e de grupos aliados mortas desde o início do conflito. Com os novos nomes incluídos, entre eles Tangsiri, o número supera 30, segundo os militares. Entre as mortes mais recentes anunciadas por Israel estão a de Ali Mohammad Naini, porta-voz do IRGC, atingido em um ataque aéreo, e a de Abu Khalil Barji, comandante das forças especiais da Força Radwan, do Hezbollah, morto no sul do Líbano. Ali Mohammad Naini Reprodução/X Em Teerã, Israel afirma ter matado Mehdi Rastami Sh'mastan, ligado ao Ministério da Inteligência do Irã, e Esmail Ahmadi, chefe da Divisão de Inteligência da Força Basij, além de outros comandantes. Segundo Israel, as operações já atingiram lideranças políticas, comando militar, estruturas de inteligência, logística, financiamento, treinamento e desenvolvimento tecnológico ligados ao Irã e a seus aliados. As Forças de Defesa afirmam que continuarão a atuar contra comandantes e dirigentes associados ao regime, sob a justificativa de eliminar ameaças e responder a ataques atribuídos a grupos apoiados por Teerã. Quem é quem entre os mortos reivindicados por Israel? Além de nomes já conhecidos, como o do chefe de segurança Ali Larijani e do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto em um bombardeio nas primeiras horas de ataque, em 28 de fevereiro, as Forças de Israel também divulgaram a identidade de outras figuras-chave supostamente "eliminadas" nas ações. Aparecem na lista pessoas como Ali Shamkhani, assessor de segurança ligado à formulação de políticas estratégicas; Mohammad Shirazi, chefe do gabinete militar do líder supremo; e Abolqasem Babaeiyan, indicado para essa mesma função no gabinete. Ali Shamkhani Reprodução Mohammad Shirazi Reprodução As ações israelenses também teriam atingido o topo das forças armadas iranianas. Entre os nomes estão Abd Al-Rahim Musavi, chefe do Estado-Maior do Exército; Mohammad Pakpur, comandante da Guarda Revolucionária; Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa; e Thalath Asadi, chefe da ala de inteligência do comando “Khatam Al-Anbiya”. Abd Al-Rahim Musavi Reprodução Mohammad Pakpur Reprodução Aziz Nasirzadeh Reprodução Integrantes de diferentes níveis da inteligência iraniana e de organizações aliadas também foram listados: Sayed Yahya Hamidi, vice-ministro de Inteligência para Assuntos de Israel; Hassin Mekled, associado ao Hezbollah; Ali Reza Bi-Azar e Hassin Ahmedlu, ligados ao setor libanês; Ahmad Rasuli, responsável por inteligência no setor “Palestina”; além de Abdallah Jlali-Nasab e Amir Shariat, também vinculados ao comando “Khatam Al-Anbiya”. Conexão com o Hezbollah e atuação no Líbano A frente libanesa aparece como eixo relevante no balanço divulgado por Israel. Entre os nomes mencionados estão Reza Hazaei, apontado como coordenador com o Hezbollah pela Força Quds; Daoud Ali Zadeh, associado ao setor “Líbano”; e Hassan Salameh, comandante da unidade “Nazer” do Hezbollah. Gholam-Reza Soleimani, comandante da Basij — milícia armada ligada à Guarda Revolucionária — também foi citado. O comunicado inclui ainda integrantes da unidade Imam Hussein, como Ali Mussalem Tuba’ja, Jihad Al-Safira e Sa’ad Al-Handasa, associados a funções de comando, vice-comando e logística. Gholam-Reza Soleimani Reprodução Magid Husseini, apontado como responsável por transferências financeiras para o Hezbollah, também teria sido morto. Frente palestina e grupos aliados Também aparece Abu Ahmed Ali, representante do Hezbollah no setor “Palestina”. Entre lideranças de grupos armados aliados, são mencionados Wassim Atallah Ali, ligado ao Hamas no Líbano, e Adham Adnan Al-Uthmaan, associado à Jihad Islâmica Palestina. Na área científica e tecnológica, são listados Hossein Jabal Amelian, descrito como presidente sênior da Organização de Inovação e Pesquisa Defensiva (SPND), e Reza Mozaffari-Nia, ex-presidente da mesma organização, ligada a pesquisas avançadas. Reza Mozaffari-Nia Reprodução As ações, segundo Israel, já atingiram simultaneamente liderança política, comando militar, inteligência, logística, financiamento, treinamento e desenvolvimento tecnológico ligados ao Irã. Produção de mísseis balísticos no Irã foi 'integralmente' destruída, diz Israel As Forças Armadas de Israel afirmaram, nesta terça-feira, que eliminaram integralmente a capacidade de produção de mísseis balísticos do Irã após uma série de ações militares. De acordo com a declaração, a ofensiva teve como alvo estruturas ligadas à fabricação, montagem e armazenamento de componentes desse tipo de armamento, sem menção ao uso ou a estoques já existentes. A operação, denominada "Rugido do Leão", resultou na destruição de mais de 100 centros de produção em território iraniano. Entre os alvos atingidos estariam instalações subterrâneas, linhas de montagem e depósitos de componentes. Galerias Relacionadas As estruturas estavam distribuídas por todo o território do Irã. Segundo as Forças de Israel, a ofensiva comprometeu completamente a capacidade do país de produzir mísseis balísticos. Porta-voz das Forças Armadas de Israel, o major Rafael Rozenszajn, afirmou que "o Irã não tem mais como fabricar os mísseis com os quais ameaçavam Israel e o mundo. Isso não é degradação, é erradicação”. Entre os alvos, havia um centro em estágio avançado que estaria prestes a iniciar a produção de 1.500 mísseis balísticos. — Não destruímos apenas os mísseis que o Irã tinha. Destruímos a fábrica, a linha de montagem, o estoque de componentes. O regime pode querer reconstruir, mas não tem mais como. A ameaça existencial que o programa balístico iraniano representava para Israel e para o mundo por conta da sua capacidade de produzir mísseis foi absolutamente neutralizada — afirma o major.
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