Jornal O Globo
Israel suspendeu planos de atacar o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, após um pedido estratégico feito pelo Paquistão aos Estados Unidos. A articulação, revelada nesta quinta-feira por uma fonte paquistanesa à agência Reuters, ocorreu sob o argumento de que a eliminação das duas autoridades inviabilizaria qualquer diálogo diplomático para o fim da guerra. Afirma TV estatal: Irã rejeita plano de 15 pontos de Trump e faz novas exigências para encerrar a guerra Irã ameaça minar rotas de acesso ao Golfo Pérsico: Conheça armas que podem travar o tráfego marítimo e afetar economia global Segundo o relato, o Exército israelense já tinha as coordenadas exatas para assassinar os líderes, que são considerados potenciais interlocutores em futuras negociações. No entanto, Islamabad alertou Washington de que “não haveria mais ninguém com quem conversar” se eles fossem mortos, levando o governo americano a pressionar Israel pelo recuo. Veículos como a rede CNN ressaltam que não foi possível verificar as informações de forma independente com fontes do Pentágono ou do governo israelense. O Exército de Israel afirmou que não comentaria alvos específicos ao ser perguntado sobre os relatos de que autoridades iranianas teriam sido removidas de uma lista de possíveis alvos. Indagado diretamente na quinta-feira, o porta-voz internacional das Forças Armadas de Israel, Nadav Shoshani, evitou confirmar nomes, mas detalhou a complexidade por trás das operações de alto escalão. "Temos um processo rigoroso antes de cada operação que realizamos — especialistas jurídicos, de inteligência, de operações aéreas, comandantes de alta patente e, em casos de grande repercussão, também nossa cúpula política", afirmou. Shoshani acrescentou que cada alvo passa por um sistema próprio de aprovação e reiterou que não entraria em detalhes sobre possíveis alvos específicos. A movimentação ocorre em um momento de alta tensão no Oriente Médio, enquanto o Irã analisa uma proposta de 15 pontos enviada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, por meio do Paquistão. O plano inclui a remoção de estoques de urânio altamente enriquecido, a interrupção do programa nuclear, a contenção do programa mísseis balísticos e a redução do apoio a aliados regionais. Além do Paquistão, países como Egito e Turquia também atuam como mediadores entre Teerã e Washington, em um cenário em que os canais diretos seguem praticamente congelados. Islamabad, inclusive, é vista como um local provável para sediar eventuais negociações de paz. Apesar do recuo, autoridades israelenses têm reiterado que nenhuma liderança iraniana está imune a ataques. Nos últimos dias, integrantes do governo indicaram que ações contra figuras de alto escalão poderiam ser autorizadas sem necessidade de aprovação prévia, o que evidencia o grau de imprevisibilidade do conflito. Quem é Abbas Araghchi Abbas Araghchi, chanceler do Irã FADEL ITANI / AFP Figura central da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, de 63 anos, consolidou-se como o principal porta-voz do regime em meio à guerra. Com trajetória iniciada ainda na Revolução Islâmica de 1979, ele integrou a Guarda Revolucionária durante o conflito entre Irã e Iraque, experiência que moldou sua visão política. Ao longo das décadas, construiu reputação como negociador técnico e, ao mesmo tempo, imprevisível nas tratativas sobre o programa nuclear iraniano. Diplomatas o descrevem como disciplinado e pragmático, mas capaz de alternar entre abertura e endurecimento — uma estratégia que ele próprio compara à barganha dos bazares iranianos. Nos últimos meses, Araghchi ampliou sua visibilidade ao assumir o papel de principal voz do governo, especialmente após ataques atingirem a cúpula do poder no país. Apesar de participar de articulações diplomáticas, mantém discurso público duro contra EUA e Israel, insistindo no direito de defesa do Irã. Quem é Mohammad Baqer Qalibaf Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf ATTA KENARE / AFP Já Mohammad Baqer Qalibaf, de 64 anos, combina influência militar e política dentro do regime iraniano. Ex-comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária e ex-prefeito de Teerã, ele é considerado um linha-dura com traços de pragmatismo. Nascido em Mashhad, ganhou projeção durante a Guerra Irã-Iraque nos anos 1980 e, desde então, acumulou cargos estratégicos, incluindo o comando da polícia nacional. À frente da prefeitura da capital, entre 2005 e 2017, ficou conhecido por projetos de modernização urbana e por cultivar uma imagem popular. Apesar do discurso agressivo contra Washington, com críticas diretas a Donald Trump e à atuação militar dos EUA, analistas avaliam que Qalibaf transita entre diferentes alas do regime e reúne experiência suficiente para participar de eventuais negociações.
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