Jornal O Globo
Dario Durigan chega nesta sexta-feira à sua primeira semana como ministro da Fazenda, após a saída de Fernando Haddad para concorrer ao governo de São Paulo. Até semana passada secretário executivo da pasta, Durigan decidiu os seus primeiros dias como chefe da área econômica a negociar com estados um subsídio para óleo diesel, participou de uma série de eventos ao lado do presidente Lula e recebeu dele uma missão: apresentar no curto prazo medidas para conter o endividamento das famílias. Lula exonerou Fernando Haddad do cargo de Ministro da Fazenda, que ocupava desde o primeiro dia do atual governo, na última sexta. Após assumir o cargo, Durigan montou uma equipe formada, em sua maior parte, por pessoas que já faziam parte da pasta. Entre eles, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, promovido à secretaria executiva — que coordena as ações da pasta. Diesel Ceron ajudou Durigan a desenhar a primeira medida apresentada pelo novo ministro. Na terça-feira, ele informou que o governo propôs um subsídio aos importadores de diesel para tentar segurar o preço nas bombas. A medida prevê o pagamento de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, sendo metade bancada pela União e metade pelos estados, um custo total estimado em R$ 3 bilhões. Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado. Por isso, a alta internacional do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio é rapidamente repassada às bombas e pode elevar o custo do transporte e a inflação. O subsídio, porém, depende de articulação com os estados, o que torna o processo mais complexo. A negociação com os governos dos estados é o principal desafio de Durigan na sua primeira semana no cargo, e caminha para um desfecho nesta sexta, quando haverá uma reunião entre ele e os secretários de fazenda locais. De acordo com Durigan, determinou que o governo não deixe que os preços que a guerra no Oriente Médio está impondo cheguem aos brasileiros. Endividamento Durigan esteve com Lula ao longo de toda a semana, em eventos e reuniões em Brasília, São Paulo e Goiás. Por isso, coube a ele anunciar linhas de crédito de R$ 15 bilhões para empresas exportadoras, sob a gestão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em uma das agendas, em Anápolis (GO), Lula revelou ter demandado a Durigan que apresente soluções para o endividamento das famílias brasileiras. O presidente ressaltou que essa solução precisa vir acompanhada de campanhas na televisão voltadas à educação financeira, para que as pessoas melhor planejem seus orçamentos. O tema foi alvo de reunião na terça-feira entre diversos integrantes do governo. De acordo com o presidente, algumas dívidas podem ser consideradas boas, como aquelas adquiridas para formar patrimônio. O problema, disse é quando a dívida ou a prestação ficam maiores do que o que sobra de dinheiro no fim do mês. — Por isso, eu pedi ao ministro da Fazenda para a gente resolver o problema da dívida das pessoas — acrescentou. Continuidade Na primeira fala como ministro, na semana passada, Durigan ressaltou que sua gestão dará continuidade ao trabalho de Haddad e elencou como prioridades o avanço do ajuste fiscal, a revisão de benefícios tributários e a melhoria da eficiência do gasto público. Durigan também defendeu o aperfeiçoamento do sistema de crédito e maior regulação da concorrência em plataformas digitais. — Cabe a mim e à equipe que vai estar comigo fazer com que esse trabalho siga com muita intensidade, com os sentidos de seguir revendo as desigualdades e as distorções que subsistem no país. Por isso a importância de fazermos, este ano, o primeiro corte linear e efetivo de alguns benefícios tributários, exceto os constitucionais, conforme o Congresso aprovou em parceria conosco no ano passado — afirmou. — Também vamos deixar a reforma tributária a ponto de bala para ela começar a funcionar o ano que vem. O novo ministro afirmou que pretende aprofundar o programa Eco Invest Brasil, por meio do qual o governo capta recursos privados para projetos socioambientais.
Go to News Site