Canetas emagrecedoras: como a perda de peso pode influenciar a vida sexual
Jornal O Globo

Canetas emagrecedoras: como a perda de peso pode influenciar a vida sexual

As chamadas "canetas emagrecedoras" se tornaram protagonistas de uma nova revolução no cuidado com o corpo. Inicialmente indicadas para o tratamento de doenças metabólicas, essas medicações rapidamente ganharam popularidade ao promoverem perda de peso significativa. Mas, à medida que os números na balança mudam, outro aspecto começa a entrar na conversa: a vida sexual. Canetas emagrecedoras podem causar queda de cabelo? Especialistas explicam Confira: Canetas para emagrecer viram febre entre famosos, mas especialistas fazem alerta importante A redução de peso pode impactar diretamente o desejo, a disposição e até a confiança na intimidade. Em alguns casos, o efeito é positivo, com aumento da libido e melhora da performance. Em outros, alterações hormonais ou efeitos colaterais podem levar ao caminho inverso. O tema ainda é cercado de dúvidas e, muitas vezes, de silêncio. Embora o foco esteja na estética e na saúde, o impacto dessas medicações vai além do espelho e chega também à cama. Entre ganhos de autoestima e possíveis oscilações no desejo, o corpo responde e a vida sexual acompanha essas mudanças. Para a endocrinologista Renata Mac Dowell, o efeito das canetas emagrecedoras sobre a função sexual é, na maioria dos casos, indireto. "As canetas emagrecedoras não afetam de nenhuma forma os hormônios sexuais, nem femininos, nem masculinos. Então o que acontece muitas vezes é que a paciente que perde peso acaba melhorando o libido, o desejo sexual, por conta de se sentir melhor, está se sentindo mais autoconfiante, com relação ao contrário de piora de libido não é comum e não está associada à medicação", afirma ao GLOBO. Ela explica que homens com hipogonadismo associado à obesidade, conhecido como MOSH, podem ter baixa testosterona e diminuição da libido, mas que a perda de peso ajuda a reverter esses efeitos. "Muitas vezes esses pacientes, quando perdem peso, seja através das canetas emagrecedoras, cirurgia bariátrica ou mesmo dieta e atividade física, têm uma melhora das taxas de testosterona, com melhora da fertilidade e inclusive melhora da libido e ereção. Então muitas vezes o paciente não precisa repor testosterona e o emagrecimento já é suficiente para essa melhora", relata. A especialista também ressalta que não há comprovação científica de que esses medicamentos causem piora da disposição ou da função sexual. "O que a gente tem que ficar bastante atento é à qualidade da alimentação dessas pacientes, para que não se sintam realmente sem energia e não haja desnutrição associada. Todos os macronutrientes têm que estar equilibrados, e os micronutrientes também. Com relação à função sexual, não existe piora. O que existe, em muitos casos, é melhora dessa função sexual quando essa mulher ou esse homem consegue performar melhor, se sentir mais à vontade com o parceiro e se sentir melhor fisicamente. Como consequência, a saúde sexual tem uma melhora importante", destaca. Por outro lado, o ginecologista Guilherme Henrique dos Santos, da Onne Clinic (RJ), lembra que algumas abordagens para perda de peso podem interferir na intimidade. "Alguns medicamentos, especialmente os que atuam no sistema nervoso central (como análogos de GLP-1), podem reduzir o apetite geral e isso inclui, em alguns casos, a diminuição do desejo sexual. Além disso, a perda rápida de peso pode impactar o eixo hormonal, levando a alterações em estrogênio e testosterona, que são fundamentais para a libido. Fatores como fadiga, cansaço, menor ingestão calórica e até mudanças na imagem corporal também contribuem para alterações da libido e desejo sexual", esclarece. Para identificar possíveis alterações, ele lista os sinais que devem ser observados. "Os principais sinais são queda do desejo sexual após o início do medicamento, redução da excitação, menor lubrificação vaginal e dificuldade para atingir o orgasmo. Quando esses sintomas surgem de forma temporalmente associada ao uso da medicação e não estavam presentes antes, vale investigar essa relação. Ajustes de dose ou abordagem multidisciplinar costumam ajudar", acrescenta. No fim das contas, cada corpo reage de um jeito, mas cuidar da alimentação, da saúde e contar com acompanhamento médico ajuda a tornar a perda de peso benéfica também para a intimidade.

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