Jornal O Globo
Uma offshore costuma ser associada a ilegalidade, ocultação de patrimônio e práticas questionáveis. No entanto, segundo o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, sócio do escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados, essa percepção simplifica um tema que, na prática, envolve planejamento jurídico e financeiro estruturado. Dessa maneira, compreender o funcionamento dessas estruturas é essencial para separar o mito da realidade e evitar decisões equivocadas. Ao longo deste conteúdo, abordaremos o que realmente é uma offshore, quando ela é legal, quais riscos existem e como a legislação brasileira atualizou o seu tratamento para essas estruturas. O que é uma offshore e por que ela não é ilegal? Uma offshore, que traduzindo literalmente significa “fora da costa”, é uma empresa constituída fora do país de residência do seu proprietário, como pontua o Dr. Lucas Gomes Mochi, também sócio do escritório. Isto posto, trata-se de um equivalente ao CNPJ brasileiro, porém registrado em outra jurisdição. Portanto, o simples fato de uma empresa estar no exterior não configura qualquer irregularidade. De acordo com Rodrigo Pimentel Advogado, o problema surge quando há desconhecimento ou uso inadequado. Assim, muitas vezes, a ideia de offshore é confundida com ocultação de patrimônio, porém, na prática, ela pode ser uma ferramenta legítima de organização patrimonial, sucessória ou operacional. Além disso, existem diferentes tipos de offshore, cada uma com finalidades específicas. Entre as mais comuns, destacam-se: Holding patrimonial: utilizada para organizar bens e facilitar sucessão; Empresa operacional: voltada para atividades comerciais ou industriais no exterior; Estrutura de investimentos: focada na gestão de ativos financeiros; Propriedade intelectual: usada para gerir marcas, patentes e tecnologia. Essa diversidade reforça que o conceito não está vinculado à ilegalidade, mas sim à finalidade e à forma como é estruturado. Offshore é ilegal no Brasil? A resposta direta é não. Offshore não é ilegal no Brasil. O que a legislação exige é transparência e correta declaração dos ativos mantidos no exterior. Segundo o Dr. Lucas Gomes Mochi, a irregularidade ocorre quando há omissão de informações à Receita Federal ou tentativa de evasão fiscal. Ou seja, o problema não está na estrutura em si, mas na conduta do contribuinte. Inclusive, a legislação brasileira evoluiu significativamente nos últimos anos. Conforme frisa o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, através de mudanças recentes, como a Lei 14.754/2023, o país passou a tributar de forma mais clara os lucros de empresas offshore controladas por residentes fiscais no Brasil. Isso significa que: Os rendimentos devem ser declarados anualmente; Há incidência de imposto sobre lucros no exterior; Estruturas artificiais podem ser desconsideradas pela fiscalização. Portanto, a offshore deixou de ser um espaço de “zona cinzenta” e passou a integrar um ambiente regulado e monitorado. Quais são os principais mitos sobre offshore? A percepção distorcida sobre offshore é alimentada por informações incompletas. Assim sendo, alguns mitos se repetem com frequência e precisam ser esclarecidos. Entre os mais comuns, destacam-se: “Offshore é esconder dinheiro”: na realidade, estruturas regulares são declaradas e monitoradas; “É proibido ter empresa no exterior”: a legislação permite, desde que haja transparência; “Só grandes fortunas utilizam”: embora comum em grandes patrimônios, não é exclusivo; “Não paga imposto”: atualmente, há regras claras de tributação no Brasil; “É uma blindagem absoluta”: estruturas mal feitas podem gerar riscos fiscais e jurídicos. Esses pontos mostram que o verdadeiro risco está na desinformação. Desse modo, quando utilizada sem planejamento, a offshore pode gerar problemas em vez de soluções. Quando a offshore pode se tornar um problema? O uso inadequado de uma offshore pode trazer consequências relevantes. Como destaca Rodrigo Pimentel Advogado, o principal erro está na ausência de planejamento jurídico integrado. Tendo isso em vista, situações comuns de risco incluem: Estruturas criadas apenas para reduzir impostos sem substância econômica; Falta de declaração de ativos no exterior; Confusão entre patrimônio pessoal e empresarial; Uso de jurisdições sem análise regulatória adequada. Além disso, questões sucessórias também ganham destaque. Em alguns países, como os Estados Unidos, a ausência de planejamento pode resultar em tributação elevada sobre heranças, chegando a percentuais expressivos. Outro ponto relevante envolve a transparência internacional. Com acordos de troca de informações entre países, estruturas offshore passaram a ser facilmente rastreáveis, reduzindo drasticamente qualquer tentativa de ocultação. Entendendo o equilíbrio entre legalidade e estratégia Em conclusão, a discussão sobre offshore envolve estratégia empresarial e familiar. Isto posto, a legislação atual exige transparência, mas não impede o uso dessas estruturas. Portanto, a offshore não é ilegal. Ela é um instrumento jurídico que precisa ser compreendido dentro do contexto correto. Pois, a diferença entre uma estrutura eficiente e um problema fiscal está na forma como ela é planejada e executada. Dessa maneira, o empresário que entende os limites legais e utiliza a offshore com finalidade legítima transforma um tema cercado de mitos em uma ferramenta de gestão patrimonial estruturada e alinhada à realidade jurídica atual.
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