Janela partidária provoca ‘dança das cadeiras’ na Câmara
Revista Oeste

Janela partidária provoca ‘dança das cadeiras’ na Câmara

A uma semana do encerramento da janela partidária para as eleições de outubro, cerca de um em cada quatro deputados já mudou de legenda ao longo do mandato na Câmara dos Deputados . A movimentação promete esvaziar as atividades legislativas na próxima semana e redesenha o equilíbrio de forças, com retomada de protagonismo do PL, encolhimento do União Brasil e o PSDB ensaiando recuperação. Desde 2022, 23% dos deputados federais trocaram de partido ao menos uma vez — alguns, mais de uma. + Leia mais notícias de Política em Oeste É o caso de Vanderlan Alves (CE), suplente eleito pelo União Brasil, que migrou para o Republicanos em fevereiro e, semanas depois, acertou nova filiação ao Solidariedade de olho na reeleição, segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo . O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI) | Foto: Reprodução/ Redes sociais Também há reviravoltas como a de Magda Mofatto (GO), que deixou o PL para ingressar no PRD ainda no início do mandato, retornou à sigla em março e agora avalia nova mudança, em meio às articulações para a disputa ao governo de Goiás. Já Duarte Jr. (MA), passou o mandato no PSB e chegou a acertar ida para o União Brasil, mas recuou depois de divergências e busca outro partido. Embora a janela oficial tenha começado em 5 de março — período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato —, a movimentação teve início antes. Até lá, 48 parlamentares já haviam mudado de partido, incluindo o ex-ministro Ricardo Salles (SP), que trocou o PL pelo Novo para disputar o Senado , e Luciano Zucco, que deixou o Republicanos rumo ao PL, mirando o governo gaúcho com apoio da base aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro. Zucco deixa a liderança da oposição em 2026 para se dedicar à campanha para o governo do Rio Grande do Sul | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados PL cresce na Câmara ante o desempenho de Flávio em pesquisas As mudanças iniciais reduziram o tamanho do PL, que elegeu 99 deputados em 2022 e chegou a cair para 88, em meio a disputas internas e aproximações de parte da bancada com o governo Lula. O cenário, porém, se inverteu nas últimas semanas. Impulsionado pela proximidade eleitoral e pelo desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, o partido voltou a crescer: desde a abertura da janela, ganhou 18 deputados — nove vindos do União Brasil — e perdeu cinco, alcançando 100 cadeiras. O União Brasil, por sua vez, vive um movimento de retração. Resultado da fusão entre PSL e Democratas, o partido já perdeu 20 deputados e enfrenta novas saídas em negociação. Até agora, recebeu apenas cinco parlamentares. Entre os fatores apontados estão a federação com o PP, que acirrou a disputa interna por vagas, e conflitos com a nova direção nacional, comandada por Antônio Rueda. Flávio Bolsonaro, durante evento na Assembleia Legislativa de São Paulo - 27/02/26 | Foto: Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo A busca por abrigo no PL também explica parte da debandada. Deputados mais alinhados à direita avaliam que a vinculação direta à legenda de Jair Bolsonaro pode facilitar a reeleição, diante do peso eleitoral do número 22. Divergências internas também pesam: Danilo Forte (CE), por exemplo, decidiu retornar ao PSDB ao não obter apoio do União Brasil para uma vaga no Tribunal de Contas da União. Para conter perdas, o União Brasil aposta na força da federação com o PP e em um robusto fundo eleitoral, próximo de R$ 1 bilhão, concentrado nas campanhas proporcionais. Ainda assim, PP e PSD disputam espaço entre as maiores bancadas, com desempenho semelhante nas trocas recentes. Ronaldo Caiado ao lado de Gilberto Kassab, que exibe a ficha de filiação do governador de Goiás ao PSD — Jaraguá (GO), 14/3/2026 | Foto: Reprodução/Facebook/@ronaldocaiado44 Na contramão, o PSDB tenta se reerguer depois de anos de declínio desde a Operação Lava Jato. A sigla confirmou apenas quatro saídas e atraiu nove deputados, beneficiando-se de vácuos regionais. Entre os novos integrantes estão o ex-ministro Juscelino Filho (MA) e o Pastor Eurico (PE). Mesmo assim, o partido soma apenas 19 deputados, distante de seus tempos de maior influência. O Podemos também avançou. Depois de frustrar uma fusão com o PSDB, a legenda ganhou oito parlamentares e perdeu dois, chegando a 22 cadeiras e ultrapassando siglas tradicionais como PSB, PDT e PSOL. Já o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, praticamente não foi afetado pela janela. Houve apenas a saída da suplente Elisangela Araujo (BA), que disputará a eleição pelo PSB, sem novas filiações previstas. O post Janela partidária provoca ‘dança das cadeiras’ na Câmara apareceu primeiro em Revista Oeste .

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