Jornal O Globo
O Pentágono está avaliando enviar mais 10 mil soldados de ação terrestre para o Oriente Médio, a fim de oferecer ao presidente americano, Donald Trump, mais opções militares para pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de 20% do petróleo comercializado no mundo, e baixar a guarda na guerra, que vai completar um mês no sábado. A informação foi revelada pelo Wall Street Journal (WSJ) no momento em que Trump adiou, pela segunda vez, seu prazo para atacar o setor elétrico do país em razão de "conversas muito boas" com Teerã. Veja o que se sabe: Trump está preparando uma invasão do Irã? Saiba quem são: Israel retira chanceler e presidente do Parlamento do Irã de lista de alvos após pedido dos EUA, diz fonte Se enviadas, as novas tropas serão somadas aos cerca de 5 mil fuzileiros navais e aos milhares de paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada que já receberam ordens para se deslocarem para a região. Até o momento, não se sabe onde as forças militares serão mobilizadas no Oriente Médio, mas é provável, segundo o WSJ, que fiquem a uma distância que permita um ataque ao Irã e à Ilha de Kharg, importante centro de exportação de petróleo na costa iraniana. — Todos os anúncios referentes ao envio de tropas virão do Departamento de Defesa. Como já dissemos, o presidente Trump sempre tem todas as opções militares à sua disposição — afirmou Anna Kelly, secretária de imprensa adjunta da Casa Branca. Initial plugin text A sequência de envios de meios militares adicionais dos Estados Unidos para o Oriente Médio nos últimos dias tem levantado discussões sobre a possibilidade de que a guerra contra o Irã adquira um novo capítulo a partir de uma invasão terrestre americana em solo iraniano. Segundo a imprensa internacional, a partir de informações reveladas por fontes do governo dos EUA, Trump articula o envio de tropas terrestres ao Irã para ampliar sua ofensiva na região do Golfo Pérsico para, além de garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, confiscar ou destruir estoques de urânio altamente enriquecido do país. Segundo a agência Reuters, as opções em análise envolvem algumas das operações militares mais complexas e arriscadas das últimas décadas. Em paralelo, o Pentágono prepara um pedido de orçamento suplementar de US$ 200 bilhões (mais de R$ 1 trilhão) ao Congresso, ligado à guerra. Segundo analistas militares ouvidos por agências de notícia internacionais, a Casa Branca e o Pentágono estudam empregar os fuzileiros navais (marines) deslocados para a região na tomada de ilhas estratégicas na costa iraniana, como Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país, em uma combinação de ações militares que vai além dos bombardeios já em curso. Ilha Kharg: entenda relevância estratégica de polo petrolífero iraniano que foi alvo de bombardeio dos EUA no Golfo Pérsico Agência Espacial Europeia via AFP Até esta sexta-feira, o navio de assalto anfíbio USS Tripoli, baseado no Japão, o navio de desembarque anfíbio USS New Orleans e cerca de 2.200 fuzileiros navais da 31ª Unidade Expedicionária devem chegar à região. Segundo o WSJ, levará mais alguns dias para a unidade chegar ao Estreito de Ormuz. A 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais partiu da costa oeste dos EUA no início desta semana, conforme noticiado pelo WSJ, e seus cerca de 2.500 fuzileiros navais poderão chegar ao Oriente Médio até meados de abril. Irã ameaça minar rotas de acesso ao Golfo Pérsico: Conheça armas que podem travar o tráfego marítimo e afetar economia global Essas unidades operam a partir de navios que servem como base móvel e são capazes de combater em ar, terra e mar, utilizando infantaria mecanizada, caças F-35B, aeronaves de rotor basculante MV-22 Osprey, embarcações de desembarque, drones e outros recursos. As unidades frequentemente treinam para conduzir assaltos anfíbios — um ataque coordenado a partir do mar contra uma costa hostil para tomar território. Além de Kharg, entre os outros alvos considerados estão ilhas como Qeshm, localizada na entrada do estreito e equipada com túneis subterrâneos que abrigam mísseis e embarcações militares, Kish e a própria ilha de Ormuz. A partir dessas posições, os EUA poderiam interceptar barcos rápidos iranianos e neutralizar ameaças ao fluxo de petroleiros. Diante disso, o Conselho de Defesa da República Islâmica afirmou que "qualquer tentativa do inimigo de atingir" o território iraniano "levará a implantação de diversos tipos de minas navais em todas as rotas de acesso ao Golfo Pérsico". Essas armas simples e de baixo custo são uma das ferramentas mais perigosas do regime, que pode implantá-las ao longo do Estreito de Ormuz. No início do mês, o Institute for the Study of War (Instituto para Estudo da Guerra) estimou que cerca de 10 minas teriam sido lançadas na região. Deslocamento do USS Tripoli Na última terça-feira, o navio de assalto anfíbio USS Tripoli foi identificado nas proximidades de Singapura, na extremidade sudoeste do Mar do Sul da China, conforme informações do sistema AIS, que monitora dados de rastreamento marítimo, analisadas pela rede americana de notícias CNN. Segundo três autoridades familiarizadas com o planejamento, o USS Tripoli transporta tropas da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros (MEU), baseada em Okinawa, no Japão. A unidade, composta por cerca de 2.200 militares, foi mobilizada pelo Pentágono como força de resposta rápida, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre o destino exato ou a missão. O navio de assalto anfíbio USS Tripoli, da Marinha dos EUA Marinha dos Estados Unidos da América Uma MEU é formada por quatro componentes: comando, combate terrestre, combate aéreo e logística. Essas unidades são frequentemente empregadas em missões como evacuações e operações anfíbias, incluindo incursões e assaltos a partir do mar, além de contarem com elementos treinados para operações especiais. Com quase 260 metros de comprimento e deslocamento de aproximadamente 45 mil toneladas, o USS Tripoli funciona como um porta-aviões de pequeno porte, equipado com caças furtivos F-35, aeronaves de transporte MV-22 Osprey e embarcações de desembarque capazes de levar tropas diretamente à costa. Afirma TV estatal: Irã rejeita plano de 15 pontos de Trump e faz novas exigências para encerrar a guerra Essas forças são treinadas para operações rápidas pelo mar e ar, combinando infantaria, apoio aéreo com helicópteros e caças F-35B, além de logística própria, o que lhes permite atuar de forma autônoma para a tomada de ilhas estratégicas ao longo da costa sul do Irã e dentro do próprio estreito, permitindo aos EUA estabelecer bases avançadas para proteger o tráfego marítimo e conter ataques iranianos. O navio é o principal de um grupo anfíbio de prontidão, que normalmente inclui os navios de transporte USS New Orleans e USS San Diego. No entanto, não foi possível confirmar, por meio de dados públicos de rastreamento, se essas embarcações acompanham o Tripoli na missão. Envio de militares do grupo anfíbio USS Boxer Entre 2,2 mil e 2,5 mil militares do grupo anfíbio de prontidão USS Boxer, baseado na Califórnia, e da 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais seguiam para o Comando Central dos EUA, responsável pelas forças americanas na região do Golfo, com partida registrada por uma webcam na manhã de quarta-feira da semana passada. Um porta-voz da Marinha americana disse em nota à NBC7 que ambas as unidades "estão conduzindo operações de rotina no Indo-Pacífico". O USS Boxer funciona como um porta-aviões de pequeno porte, enquanto o USS Portland e o USS Comstock são navios de desembarque anfíbio. Juntas, as três embarcações transportam, além dos cerca de 2,5 mil fuzileiros navais, aproximadamente 4 mil militares no total. Expedição autorizada de brigada de assalto aéreo A rede americana NBC News revelou que Trump autorizou o envio para o Golfo Pérsico de uma brigada de assalto aéreo, especializada em ações de ataque rápido em territórios hostis. A 82ª Brigada, composta por cerca de 3 mil militares, é uma força de ação emergencial, que pode atuar em qualquer lugar do mundo em até 24 horas, e treinada para ações com paraquedistas em territórios adversos, com o objetivo de assumir o controle de posições estratégicas, como campos de pouso. De acordo com a NBC News, apenas uma parte da unidade, cerca de mil militares, irá ao Golfo. A brigada foi criada no século passado, atuando nas duas Guerras Mundiais e em conflitos como a Guerra do Iraque e a Guerra do Afeganistão, quando também ajudou na evacuação de civis após a tomada de Cabul pelo Talibã, em agosto de 2021.
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