Vieira e Rubio se reúnem durante encontro do G7 e reforçam diálogo sobre comércio e crime transnacional
Jornal O Globo

Vieira e Rubio se reúnem durante encontro do G7 e reforçam diálogo sobre comércio e crime transnacional

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teve duas conversas nesta sexta-feira com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante a reunião de chanceleres do G7, realizada em Vaux-de-Cernay, na França. Os encontros ocorreram antes do início e ao final da sessão matinal do segundo dia do evento. Segundo interlocutores do Itamaraty, as conversas tiveram como objetivo atualizar os diálogos bilaterais em curso há mais de dois meses, com foco em temas como comércio e cooperação no combate ao crime organizado transnacional. Nos bastidores, diplomatas brasileiros fizeram questão de afastar qualquer associação entre o encontro e as recentes especulações sobre o enquadramento de facções brasileiras como organizações terroristas. O tema, segundo esses relatos, “não foi sequer mencionado” nas conversas. Como mostrou o GLOBO, o diálogo entre Brasil e Estados Unidos sobre crime organizado ganhou peso nas últimas semanas, em meio à pressão de setores do governo americano para endurecer a abordagem em relação a grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A hipótese de classificar essas facções como organizações terroristas passou a circular em Washington e mobilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta evitar esse enquadramento. Auxiliares de Lula defendem que o tema seja tratado no âmbito da cooperação policial e de inteligência, sem implicações que possam afetar a soberania brasileira ou tensionar a relação bilateral. A avaliação, no governo, é que parte dessa pressão vem de um núcleo político ligado a Rubio dentro do Departamento de Estado, identificado como mais alinhado à ala conservadora americana. Nesse contexto, a interlocução direta entre Vieira e Rubio vinha sendo mantida desde o início do ano, com trocas frequentes para calibrar a cooperação em segurança e evitar escalada diplomática. A conversa desta sexta-feira, segundo relatos, se insere na estratégia de preservar o diálogo e conter ruídos na relação bilateral, diante de um tema tratado como sensível pelos dois lados. A leitura no governo é que manter esse canal técnico e diplomático aberto é essencial para evitar a politização da agenda e impedir uma escalada nas tensões entre os dois países.

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