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Liderados por Cristiano Ronaldo, Modric e Neuer, quarentões ignoram rótulos e chegam a mais uma Copa do Mundo
Jornal O Globo

Liderados por Cristiano Ronaldo, Modric e Neuer, quarentões ignoram rótulos e chegam a mais uma Copa do Mundo

Entre os mais de 1.200 jogadores convocados pelas 48 seleções que disputarão a Copa do Mundo de 2026, que se inicia daqui a quatro dias, oito em especial chamam a atenção pela marca da longevidade: ultrapassaram a barreira dos 40 anos. Este grupo, encabeçado por Cristiano Ronaldo, Luka Modric e Manuel Neuer, ainda não deixou de estar em alto rendimento e ser referência dentro de seus países, e assim estarão presentes novamente no principal palco do futebol. Agora é para valer: Endrick marca e dá vitória ao Brasil contra o Egito no último amistoso antes da estreia na Copa do Mundo Leia mais: Alemanha, Portugal e Inglaterra vencem amistosos na preparação para Copa do Mundo O atacante português chegará à sua sexta participação em Mundiais e quebrará o recorde histórico junto com o goleiro mexicano Guillermo Ochoa, outro dos quarentões desta edição — o argentino Lionel Messi fecha este trio, mas completará “apenas” 39 anos no próximo dia 24. Já o goleiro alemão, campeão em 2014, e o meia croata, vice em 2018, tiveram altos e baixos no último ciclo, mas garantiram a vaga nas listas finais. O grupo de veteranos ainda conta com o atacante Edin Dzeko (Bósnia) e os goleiros Craig Gordon (Escócia), recordista de idade desta Copa (43 anos), Josimar "Vozinha" Dias (Cabo Verde) e Fernando Muslera, ícone do Uruguai que completará 40 anos durante o torneio, no próximo dia 16. Recuperação e saúde As presenças destes nomes e de outros que se aproximam de uma idade antes impensada para um jogador profissional são, evidentemente, as melhores mostras da evolução das tecnologias de preparação física. Hoje em dia, é praticamente obrigatório a utilização de equipamentos como GPS, botas de compressão pneumática e alguns aparatos presentes nos clubes e nas casas dos próprios atletas. Só que o avanço não depende apenas destes itens. Claudio Pavanelli, fisiologista e especialista em Ciências do Esporte, aponta que a possibilidade de individualizar as cargas de treinamento e monitorar sono e alimentação são grandes diferenciais atuais, mas a longevidade ainda depende do compromisso de cada um. — Muitos desses atletas são extremamente preocupados com a saúde. E esta é a base da performance. Ninguém vai conseguir ter um alto rendimento em campo se não tiver com a saúde em dia — analisa Pavanelli, que explica o diferencial para os técnicos das seleções seguirem os convocando: Cristiano Ronaldo disputará sexta Copa do Mundo em 2026 PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP — Existe a grande necessidade não apenas da questão física, e sim da parte comportamental, emocional, de ser um exemplo dentro de um grupo nesse tipo de competição curta. O futebol é um esporte coletivo, de altíssima intensidade, e requer os quatro pontos: técnico, tático, físico e emocional. Devido a exposição cada vez maior que é a Copa do Mundo, eu acho que é necessário termos esses atletas no grupo — pontua. A preocupação em ter uma boa recuperação entre os jogos — e até treinos — é central para os jogadores que passaram dos 30 anos. Para o performance coach Kadu Fadel, a consciência geral de grande parte destes atletas ajuda no resultado final. — Não adianta ter muito aparato tecnológico. Nada ganha de uma noite de sono bem dormida, e de alimentação controlada. As tecnologias vêm para auxiliar, aceleram a recuperação, mas tem coisas que não podem ser substituídas — opina Fadel. — Esse tipo de jogador leva a noção para dentro do campo. Carrega uma vida inteira dentro do esporte e, mentalmente, isso é importante. Seleção brasileira: Wesley sente dor na virilha e é substituído por Danilo em último amistoso antes da Copa do Mundo Dos oito quarentões da Copa de 2026, cinco são goleiros. A posição pode parecer que oferece menos dificuldades pela menor movimentação durante os jogos, mas os guardiões de meta precisam trabalhar dobrado no dia a dia, e também veem a longevidade como desafio. — Os goleiros são primeiros a chegarem e os últimos a saírem dos treinos. Precisam compensar a demanda física menor nos jogos. Ainda assim, suas ações são mais rápidas e eles precisam de um tempo de reação muito maior. Têm que fazer um trabalho com extrema excelência — garante Fadel. Paixão para continuar Outro aspecto que coloca o grupo de veteranos à prova é ter sete jogadores em fim de temporada, sendo seis no futebol europeu, e Cristiano no Al Nassr, da Arábia Saudita — apenas Muslera está na Argentina, no Estudiantes. A Copa no meio do ano obriga uma extensão do período de atividades, e a necessidade de saber se dosar ainda mais. Muslera disputará mais uma Copa do Mundo pelo Uruguai Dante FERNANDEZ / AFP Para os profissionais que trabalham diretamente com a parte física, a atitude em momentos como esse — além claro, da qualidade técnica — são diferenciais para que sigam recebendo oportunidades nas seleções. — Muito mais do que a gente ficar preso a períodos, e a partir de trinta e tantos anos colocar o rótulo de que é um atleta velho, eu acho que a atitude profissional de atleta é muito mais importante do que apenas a idade cronológica. Cada vez mais ouvimos a frase, que eu não gosto: "Ele está entregando em campo?" O que é estar entregando? Isso vai depender de todos esses fatores e não da idade cronológica dele em si — pondera Pavanelli. Ambos os especialistas ouvidos pelo GLOBO discutiram o motivos pelo qual os quarentões seguem desbancando os jovens — uma resposta que passa pelo amor pelo futebol. — Por conta de muita tecnologia, vamos ver isso com mais frequência. O cara que gosta muito consegue fazer aquilo por mais tempo. Não é porque não existem nomes novos, é porque ele é bom e apaixonado. Não está preocupado em recordes, só em continuar jogando. Os quarentões são caras acima da média, é natural eles continuarem. Na minha concepção, não estamos falando de exceções. Quem faz investimento de longo prazo, sai na frente — conclui Fadel.

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