Jornal O Globo
A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, a Casa Branca confirmou que a seleção do Irã poderá entrar normalmente nos Estados Unidos para disputar sua partida de estreia no torneio. O esclarecimento encerra dias de especulações sobre possíveis restrições à delegação iraniana em meio ao endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo de Donald Trump. Segundo informações divulgadas pela RMC Sport e confirmadas por autoridades americanas nesta terça-feira, a equipe viajará de Tijuana, no México, para Los Angeles um dia antes do confronto contra a Nova Zelândia, marcado para 15 de junho. A delegação utilizará um voo particular com duração estimada de cerca de 30 minutos. Nos últimos dias, circularam rumores de que os iranianos seriam obrigados a realizar um deslocamento excepcional, chegando e deixando os Estados Unidos no mesmo dia da partida. A hipótese ganhou força após declarações de autoridades iranianas sobre dificuldades relacionadas à emissão de vistos. O tema foi abordado publicamente por Andrew Giuliani, diretor executivo da equipe de gerenciamento de crises da Fifa na Casa Branca. Durante um evento, o representante do governo americano confirmou que a seleção terá autorização para entrar no país para disputar normalmente a partida da fase de grupos. Ao mesmo tempo, Giuliani indicou que nem todos os integrantes ligados à delegação necessariamente receberão autorização para viajar aos Estados Unidos. — Como vocês podem imaginar, algumas pessoas se dizem treinadores quando podem não ser de fato — afirmou. Sem detalhar nomes ou funções, o representante da Casa Branca sugeriu que determinadas autoridades associadas à delegação iraniana poderão enfrentar dificuldades para obter vistos de entrada. A posição está alinhada ao discurso adotado pelo governo Trump em relação ao Irã. Segundo Giuliani, a administração americana busca equilibrar a realização da competição com as exigências de segurança nacional. — O presidente foi claro sobre este ponto. Ele quer garantir que eles tenham todas as chances de competir em igualdade de condições, ao mesmo tempo que assegura que pessoas que trabalham diretamente, digamos, com a Guarda Revolucionária Islâmica não tenham acesso aos Estados Unidos da América — declarou. A situação da seleção iraniana tem sido acompanhada com atenção desde o início da preparação para a Copa. O país está entre os afetados por medidas migratórias adotadas por Washington, o que gerou dúvidas sobre a presença de atletas, dirigentes e torcedores no torneio. Nos últimos dias, outras controvérsias envolvendo o Irã também ganharam repercussão. A federação do país acusou os Estados Unidos de reduzirem a disponibilidade de ingressos para torcedores iranianos, enquanto jogadores chamaram atenção ao desembarcarem no México usando broches com o número 168, gesto interpretado como uma referência simbólica ligada ao contexto político do país. As discussões sobre vistos e controles migratórios se somam a outras polêmicas que antecedem o início do Mundial. Entre elas está o caso do árbitro somali Omar Artan, que teve a entrada negada nos Estados Unidos e acabou excluído da competição após ser considerado uma ameaça à segurança nacional pelas autoridades americanas.
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