Jornal O Globo
Conhecido pela decoração inspirada no Mickey, personagem de desenho animado, atrações circenses, pirotecnia e shows, o chamado Baile da Disney se tornou uma das festas mais conhecidas do Complexo da Maré. Agora, o evento aparece no centro de uma investigação da 21ª DP (Bonsucesso), que o aponta como um dos principais mecanismos de movimentação financeira do Terceiro Comando Puro (TCP). Realizado no campo da Vila do João, o baile é descrito pela Polícia Civil como um elemento central do esquema de lavagem de dinheiro investigado na Operação Trinus, deflagrada nesta quarta-feira para cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão contra integrantes da facção. Segundo a corporação, a festa funcionava como canal de escoamento de mercadorias roubadas e concentrava receitas obtidas com a venda de bebidas, alimentos e espaços explorados sob controle do grupo criminoso. Caso Henry: Cármen Lúcia diz que perdão judicial não foi bem explicado à sociedade e que 'gênero não é salvo-conduto para prática de crime' De volta para a cadeia: Justiça cassa prisão domiciliar de Danúbia Rangel, ex-mulher do traficante Nem, e determina retorno ao regime semiaberto Ainda segundo os investigadores, a estrutura financeira do evento também viabilizaria o pagamento de cachês e presenças VIP de figuras públicas, prática que, na avaliação da polícia, serviria para fortalecer a reputação das lideranças criminosas e ampliar sua influência dentro e fora das comunidades. As conclusões fazem parte de uma investigação mais ampla sobre roubos de carga atribuídos ao TCP. De acordo com a Polícia Civil, integrantes da facção interceptavam caminhões na Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela e levavam as cargas para comunidades da Maré, onde as mercadorias eram descarregadas, armazenadas e revendidas. Ex do traficante Nem, Xerifa da Rocinha, influencer: Quem é Danúbia Rangel e por que voltou para a cadeia Outro ponto destacado pela polícia são registros feitos em edições anteriores da festa. Segundo a investigação, foram identificados homens armados com fuzis circulando em meio ao público. Em um dos registros analisados, os agentes estimaram a presença de cerca de 40 armas durante um cortejo realizado no evento. A investigação aponta que estabelecimentos comerciais da região eram utilizados para receptação e revenda dos produtos roubados. Os policiais afirmam ainda que a facção exerce controle sobre serviços considerados essenciais em áreas da Maré, como fornecimento de internet, venda de gás de botijão e distribuição de água. Segundo a corporação, o Baile da Disney integrava essa cadeia econômica. Os investigadores afirmam ter identificado uma estrutura que envolvia autorização das ações pelas lideranças, execução dos roubos, armazenamento das mercadorias e posterior escoamento dos produtos por estabelecimentos comerciais, bares, plataformas de marketplace e pelo próprio baile. Initial plugin text
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