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O que a mineração de um metal como o cobre tem a ver com o futuro da IA? Tudo, diz líder de empresa que inova no setor | Collector
O que a mineração de um metal como o cobre tem a ver com o futuro da IA? Tudo, diz líder de empresa que inova no setor

O que a mineração de um metal como o cobre tem a ver com o futuro da IA? Tudo, diz líder de empresa que inova no setor

Mohammad Doostmohammadi, CEO da pH7 Technologies, iniciou sua palestra ontem no Rio Web Summit 2026 com uma provocação: — Quantos de vocês pensam que o futuro de IA está relacionado à computação, chips, softwares e inteligência artificial? Web Summit Rio 2026: Acompanhe a cobertura do GLOBO Investimento de US$ 550 milhões: Prefeitura anuncia expansão de hub de data centers O líder da empresa pioneira em um novo processo de extração de minerais que utiliza métodos de eletrificação para extrair metais críticos do solo, reduzindo o impacto ambiental da atividade, falou a uma plateia curiosa no painel intitulado "Atendendo a demanda crescente de metal para energizar a infraestrutura de dados e de IA". Na resposta à sua própria pergunta, ele explicou que a maioria das pessoas pensa que o futuro da IA é baseado na computação e nos chips que são produzidos, mas, na sua visão, depende de algo de que se fala menos (ou cada vez mais): os metais. Eles são necessários para construir a infraestrutura demandada pela IA e, não à toa, têm ganhado destaque na geopolítica global com a disputa entre EUA e China pelo acesso aos chamados minerais críticos, insumos fundamentais para a indústria de equipamentos tecnológicos. Mohammad Doostmohammadi, CEO da ph7, faz apresentação no Web Summit Rio 2026 Lucas Tavares/Especial para O Globo — Até 2030, estimamos que vamos ter 945 terawatt-hora (TWh) de demanda de eletricidade para os data centers de IA espalhados pelo mundo. Hoje esse montante equivale a apenas 415 TWh. Em quatro anos precisamos mais que dobrar esse volume de eletricidade fornecida para os data centers que já foram aprovados para serem construídos no futuro — explicou. Bilionária brasileira: Luana Lopes Lara diz no Web Summit que Kalshi quer chegar ao Brasil e promete diálogo com governo após veto Fazendo uma analogia, Doostmohammadi ressaltou que para atender essa demanda, seria necessário construir nesses próximos quatro anos uma infraestrutura capaz de abastecer por um ano um país como o Japão, quinta maior economia do mundo. Ele observa que isso implica também ter as redes de transmissão para fazer chegar toda essa energia a esses centros de processamento de dados. — Precisamos de 80 milhões de quilômetros de linhas de transmissão para sermos capazes de distribuir essa energia para os data centers. É a mesma dimensão que temos hoje. Precisamos dobrar as redes de energia que vemos em todo o mundo. Metal é o insumo básico dessa trama E o que está por trás desses cabos de energia é o metal. Cobre é o principal ingrediente que está por trás de todas essas redes. Até 2040, a necessidade anual de cobre para infraestrutura e eletrificação da IA é de 512 mil toneladas. Para se ter uma ideia, a maior mina de cobre do mundo produz 300 mil toneladas de cobre por ano. Um data center de 1 gigawatt precisa de 150 mil a 250 mil toneladas de cobre para montar a infraestrutura que o cerca, afirmou o executivo. — Para essa energia chegar aos data centers é necessário ter as usinas que geram essa energia, as redes de transmissão, subestações para transferir essa energia aos centros de distribuição, pequenos transformadores etc. O total que precisamos para essa infraestrutura que abastece um data center é de 150 mil a 200 mil toneladas de cobre. Déficit no horizonte Ele detalha que, com os data centers de 100 gigawatts já aprovados para serem construídos, vamos precisar de 15 a 25 milhões de toneladas de cobre para suprir essa necessidade: — Isso significa décadas de produção de cobre pelos parâmetros atuais, se apenas considerarmos o uso destinado a IA. Hoje a demanda por cobre é de 30 milhões de toneladas, e estamos produzindo 28 milhões de toneladas. Nos próximos dez anos, teremos um déficit de 16 milhões de toneladas a cada ano na oferta da cadeia de produção de cobre. IA avança rapidamente, mina demora Ele acrescenta que a demanda da sociedade por IA, tecnologia e software está crescendo enquanto a oferta de minas é lenta, não acompanha o ritmo. — São necessários 17 anos para que uma nova mina de cobre entre em produção. E não temos esse tempo. A demanda de cobre é imediata. Precisamos aumentar a mineração. Mas não temos recursos suficientes no mundo para fazer isso já. Não temos nova exploração acontecendo. Se é um fato inexorável que precisamos de mais cobre, o funcionamento das minas não é a origem do problema, mas sim o processamento dele, explica o executivo: — O problema está no processamento de cobre. Temos cobre suficiente no solo, por todo lugar e que pode ser extraído de forma eficiente para atender a demanda que vemos para o futuro. Usamos telefones celulares, e há muito cobre ali. Extraímos materiais que chamamos resíduos de rocha, mas esse processo de produção do cobre é caro. As minas representam bilhões de dólares em cobre, ouro e outros metais críticos armazenados mas que não podem ser extraídos. Vêm sendo explorados há mais de cem anos, mas não foram extraídos. Estão armazenados no solo, esperando por uma nova tecnologia. Em sua apresentação, Doostmohammadi apontou que, diferentemente da diversidade geográfica da ocorrência de cobre, há uma concentração das unidades de processamento. Segundo ele, enquanto há minas em produção no Brasil e no Chile, na América do Sul, há atividades também na América do Norte e na África, mas apenas 20% delas são capazes de produzir localmente. Mais de 80% do cobre extraído no mundo é transportado de navio para China para o processamento final. — A China detém o processamento de cobre, o metal e a distribuição. É o único país que pode lidar com esse volume de processamento de cobre. Estamos enviando pedras de navio ao redor do mundo até a China e depois esse metal volta a rodar o mundo para chegar ao consumidor. Isso não é sustentável — afirmou. Em busca de uma solução para este dilema, o executivo defendeu a necessidade de uma nova tecnologia para regionalizar a extração e processamento do cobre, mantendo a atividade próxima da demanda, aumentando os ganhos financeiros, produtivos e ambientais. E explicou o que a empresa que lidera desenvolve. — Na ph7 estamos desenvolvendo um processo que pode extrair o cobre no local da mina, onde estão os resíduos de rochas, próximo à oferta e à demanda. E este processo é eletrificado e modular. Pode ser aplicado onde a oferta se encontra — explicou. — Estamos construindo fábricas na América do Norte, América do Sul, Europa, Sul da Ásia, África. Onde quer que haja oferta de cobre que não consegue ser extraído no local com a metodologia atual, nosso modelo de processamento de cobre pode ser usado para produzir o metal que precisamos par o futuro da IA. Ele acrescenta que a tecnologia da ph7 pode ser aplicada na chamada mineração urbana, extraindo metais de equipamentos descartados, ou no beneficiamento de minérios considerados de baixa qualidade. Para isso, a empresa emprega inteligência artificial. — Combinando eletricidade e química desenvolvemos um processo modular digitalizado que pode extrair cobre na fonte e obter um produto final que pode ser usado em qualquer processo de fabricação. O futuro do processo de extração de cobre é digital e eletrificado. Aí está a ironia, usamos IA para produzir o metal que a IA demanda através de eletrificação da extração do metal, usando sensores, ferramentas digitais. Nós podemos modificar esse processo e aumentar a eficiência das operações de processamento, minimizar o consumo de energia elétrica, modificar a voltagem e a amperagem por meio dos data centers de IA que utilizamos para o processamento mineral, para otimizar a extração de cobre. Trata-se de minimizar o desperdício, maximizar a eficiência e maximizar a produção de cobre para atender a demanda do metal garantindo o futuro da IA — concluiu. A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.

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