Collector
Giriş Yap
Ex-estagiário do Ministério Público preso por elo com PCC fez TCC sobre estelionato | Collector
Ex-estagiário do Ministério Público preso por elo com PCC fez TCC sobre estelionato

Ex-estagiário do Ministério Público preso por elo com PCC fez TCC sobre estelionato

O ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo preso ontem (9) por suspeita de elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) fez seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre estelionato virtual. Com bacharelado em Direito, Gabriel Lira de Jesus apresentou o trabalho à banca examinadora em junho do ano passado. Segundo investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Jesus atuou como estagiário em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas, onde se infiltrou para "fins criminosos". De acordo com a Promotoria, enquanto atuou como estagiário ele usou o banco de dados e os sistemas de pesquisa do MP para fazer o mapeamento de criminosos de alto poder econômico. Depois, exigia dinheiro em troca de proteção nas investigações aos faccionados. A investigação também mostrou que as extorsões aconteceram usando a internet de um escritório de advocacia. Jesus se formou com uma pesquisa sobre estelionato virtual e invasão de dispositivos informáticos em junho do ano passado. Ele compartilhou parte do trabalho em suas sociais, ao lado de fotos com a banca avaliadora. Em suas redes, ele divulgava também a participação em eventos da área do direito. Em algumas fotos, aparece com desembargadores do estado de São Paulo e policial federal. O GLOBO tenta contato com a defesa de Jesus. Pagamento de R$ 500 mil A operação “Infiltrados” prendeu ainda um chefe de investigadores da Polícia Civil e um ex-policial civil, suspeitos de favorecerem o crime organizado. A investigação começou a partir de uma denúncia de extorsão feita por um traficante ligado ao PCC que era alvo de uma operação do Gaeco. Segundo o promotor de Justiça Marcos Tadeu Rioli, coordenador da investigação, o criminoso foi localizado e preso em agosto de 2025. Durante o cumprimento do mandado, porém, ele relatou aos investigadores que havia recebido, dois dias antes da prisão, uma mensagem exigindo o pagamento de R$ 500 mil para que não fosse preso e para que seu caso não fosse encaminhado ao Gaeco. A cobrança foi feita por WhatsApp por Jesus, na época ex-estagiário do MP, por meio de mensagens de visualização única. O traficante acabou preso, denunciado por tráfico de drogas e continua detido. A tentativa de extorsão, contudo, deu origem a uma investigação paralela que revelou uma suposta rede de agentes públicos e ex-servidores que utilizariam informações privilegiadas tentar beneficiar integrantes do crime organizado. Embora não atuasse no Gaeco nem tivesse acesso direto às investigações do grupo especializado, Jesus tinha acesso a inquéritos policiais em tramitação na promotoria onde trabalhava. Segundo Rioli, o estagiário utilizou esse acesso para obter informações sobre o investigado e contou ainda com o apoio de agentes com acesso a sistemas restritos do Estado. A investigação aponta que um policial civil e um policial penal forneceram consultas privilegiadas em bancos de dados oficiais, permitindo levantar informações detalhadas sobre o alvo. A partir desses dados, os envolvidos teriam identificado que o investigado possuía elevado patrimônio e capacidade financeira. Conforme relatado pelo promotor, a própria mensagem enviada ao traficante continha trechos de relatórios policiais e informações sigilosas sobre a investigação em andamento.

Go to News Site