Jornal O Globo
Embora a Copa do Mundo seja frequentemente descrita como o maior evento esportivo do planeta, o torneio parece despertar interesse limitado nos Estados Unidos, mesmo com o país voltando a receber partidas após cerca de 30 anos. Uma pesquisa realizada pelo instituto Morning Consult para a Bloomberg indica que mais da metade dos adultos americanos não pretende acompanhar os jogos pela televisão. O levantamento, realizado no fim de maio com cerca de 2 mil pessoas, mostrou que mais de 50% dos entrevistados consideram improvável assistir a qualquer uma das 104 partidas da competição em casa. Apenas 13% afirmaram ter absoluta certeza de que acompanharão os jogos. Os dados revelam diferenças significativas entre gerações. A geração Z, formada pelos adultos mais jovens, demonstrou maior entusiasmo em relação ao torneio. Já os baby boomers, atualmente na faixa dos 60 e 70 anos, apareceram como o grupo menos interessado na competição. Entre os integrantes dessa geração, três quartos disseram não ser fãs de futebol. Além disso, cerca de metade afirmou nunca ter ouvido falar de Lionel Messi, um dos nomes mais conhecidos do esporte. A Copa do Mundo, organizada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, começou nesta quinta-feira. Ainda assim, a pesquisa sugere que boa parte dos americanos permanece distante do evento. Apenas um quarto dos entrevistados afirmou ter recebido bastante informação — ou mais do que isso — sobre o torneio. Quase 40% disseram que nada relacionado à Copa havia chamado sua atenção até o momento da pesquisa. Preço dos ingressos lidera lembranças negativas Grande parte do que os americanos ouviram sobre a Copa do Mundo teve conotação negativa. O tema mais lembrado pelos entrevistados foram os altos preços dos ingressos. Aproximadamente 30% disseram estar cientes dos elevados custos das entradas. As críticas relacionadas aos valores cobrados e à distribuição dos bilhetes levaram à abertura de investigações estaduais e motivaram pedidos por redução dos preços. Quase 70 integrantes do Congresso dos Estados Unidos solicitaram a revisão dos custos. O segundo assunto mais citado foi a concessão do primeiro prêmio da paz da Fifa ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a pesquisa, 31% rejeitaram fortemente a iniciativa, enquanto 16% disseram aprová-la fortemente. Milhões em publicidade não garantiram engajamento Apesar do baixo interesse identificado no levantamento, grandes empresas investiram milhões de dólares em campanhas associadas à Copa do Mundo. Entre as marcas mencionadas estão McDonald's e Verizon, que participam do evento como parceiras oficiais da Fifa ou por meio das transmissões das partidas. Nos Estados Unidos, os jogos são exibidos pela Fox e pela Telemundo, pertencente à Comcast. A Coca-Cola apareceu como a empresa mais frequentemente associada ao marketing da Copa. A fabricante de refrigerantes começou a anunciar no torneio em 1950 e voltou a figurar como patrocinadora oficial nesta edição. A Nike foi a segunda marca mais lembrada pelos entrevistados, embora não seja parceira oficial da Fifa. A empresa mantém contratos com seleções como França, Inglaterra e Estados Unidos. Já a Adidas apareceu alguns pontos percentuais abaixo da rival, apesar de sua longa relação com a Copa do Mundo e do fornecimento da bola oficial desta edição. Setores esperavam impulso econômico, mas relatam demanda menor A pesquisa também coincide com sinais de demanda abaixo das expectativas em setores que apostavam nos efeitos econômicos do torneio. Uma companhia aérea argentina reduziu voos destinados especificamente ao transporte de torcedores da Copa. Anfitriões do Airbnb em uma das cidades-sede relataram frustração com a baixa procura por hospedagem. A rede de restaurantes Shake Shack revisou para baixo sua projeção de vendas comparáveis trimestrais e retirou qualquer expectativa de impacto positivo relacionado à competição. "Estamos observando uma desaceleração no número de turistas nas últimas três ou quatro semanas, especialmente em algumas das grandes cidades onde atuamos", afirmou o diretor-presidente da empresa, Rob Lynch, durante conferência com investidores realizada em 4 de junho A companhia havia projetado inicialmente que a Copa do Mundo contribuiria para elevar o movimento em suas unidades, embora não seja patrocinadora oficial do torneio. A pesquisa mostra ainda que quase 60% dos entrevistados disseram que suas famílias não pretendem gastar dinheiro com a Copa do Mundo. Entre as despesas descartadas pelos americanos estão ingressos para os jogos, consumo relacionado à exibição das partidas fora de casa e a compra de produtos licenciados.
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