Jornal O Globo
Aos 43 anos, Craig Gordon está prestes a disputar a maior competição de sua carreira. Mas, para chegar à Copa do Mundo de 2026, o goleiro da Escócia precisou enfrentar um desafio muito maior do que qualquer adversário em campo: a possibilidade de sofrer uma lesão irreversível — ou até morrer. O veterano revelou nesta terça-feira que foi alertado por médicos sobre os riscos de um delicado tratamento no pescoço necessário para que pudesse continuar jogando futebol após uma lesão sofrida em março. A situação foi explicada pelo especialista em coluna Usamah Jannoun, consultado por Gordon durante sua recuperação. — Você leu o folheto informativo. Pode ficar paralisado. Pode morrer — relatou o médico ao goleiro, segundo o próprio jogador. Mesmo diante dos riscos, Gordon decidiu seguir com o procedimento para manter vivo o sonho de disputar mais uma Copa do Mundo antes do encerramento da carreira. — Havia definitivamente uma preocupação de que fosse algo de longo prazo, não apenas para o futebol, mas para o resto da minha vida — afirmou. Agora recuperado, o goleiro chega ao Mundial como o jogador mais velho da competição, com 43 anos e 161 dias. A experiência, porém, não lhe garante a titularidade. O técnico Steve Clarke ainda não definiu quem começará jogando na estreia da Escócia contra o Haiti, em Boston. Gordon disputa a posição com Angus Gunn e Liam Kelly, e garante que continua encarando a concorrência com a mesma mentalidade que o acompanhou durante toda a carreira. — Acho que todos precisam pensar que são os melhores. Gostaria de acreditar que os outros goleiros do elenco também pensam assim — disse. Apesar da disputa, o veterano destacou o espírito coletivo da seleção. — Isso não significa que você não apoie quem estiver jogando. Este é um esforço nacional. É um esforço de todos juntos. O goleiro afirmou que ainda não recebeu qualquer indicação da comissão técnica sobre quem será o titular. — Não houve nenhuma sinalização. Temos mais alguns dias de treino para mostrar que merecemos essa posição. Vou trabalhar o melhor possível e ver quem o treinador escolhe. Ex-jogador do Sunderland e ídolo do Hearts, Gordon admite que apenas estar presente na Copa já representa uma conquista pessoal após os problemas físicos enfrentados nos últimos meses. — Claro que quero jogar. Mas conseguir chegar até aqui já é uma espécie de triunfo. A reflexão ganha ainda mais peso diante do risco que correu para permanecer em atividade. — Talvez, quando olhar para trás, essa seja a principal emoção que vou sentir. Mesmo que aconteça dessa forma, continuarei orgulhoso. Para Gordon, que passou décadas defendendo clubes e a seleção escocesa, o sonho permanece o mesmo desde a infância. — Jogar uma Copa do Mundo é o sonho de qualquer garoto.
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