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Argentinos pedalam mais de 7 mil km até os EUA para acompanhar Messi na Copa do Mundo | Collector
Argentinos pedalam mais de 7 mil km até os EUA para acompanhar Messi na Copa do Mundo

Argentinos pedalam mais de 7 mil km até os EUA para acompanhar Messi na Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2026 tem sido alvo de críticas pelos preços elevados dos ingressos, pelos desafios logísticos nos Estados Unidos e pela percepção de que o público americano ainda não abraçou completamente o torneio. Ainda assim, para alguns torcedores, nenhum valor é alto demais e nenhuma distância é longa demais quando o objetivo é acompanhar a maior competição do futebol. Que horas é a abertura da Copa do Mundo 2026? Confira data, horário e local Aos 43 anos, goleiro da Escócia revela que foi alertado sobre risco de morte durante preparação para disputar a Copa: 'Poderia ficar paralisado' Entre esses superfãs está um grupo de amigos argentinos que percorre de bicicleta a maior parte do trajeto entre a Argentina e Kansas City para ver Lionel Messi atuar no que pode ser sua última participação em uma Copa do Mundo. Há também um cientista português radicado em Chicago que calcula gastar cerca de US$ 12 mil para acompanhar Portugal na busca pelo primeiro título mundial. Já um pai e um filho planejam desembolsar mais de US$ 10 mil em uma viagem de apenas um dia saindo de Dubai para assistir a Erling Haaland. O entusiasmo desses torcedores contrasta com as preocupações que cercam o torneio. As reservas de hotéis em algumas cidades-sede ficaram abaixo das expectativas, enquanto autoridades locais discutem com a Fifa os custos associados à realização dos jogos. Ao mesmo tempo, os preços dos ingressos seguem chamando atenção. O bilhete mais barato para a final, marcada para Nova Jersey, custava cerca de US$ 2.030 no site oficial da Fifa, mais de três vezes o valor mínimo cobrado na decisão da Copa do Mundo do Catar, em 2022. Em comparação com a final da Rússia, em 2018, o aumento é ainda maior: o ingresso mais barato naquela ocasião custava aproximadamente US$ 455. Na plataforma de revenda SeatGeek, os ingressos da fase de grupos apresentam preço médio de US$ 810. Para alguns críticos, a política de preços afasta os torcedores tradicionais e transforma a Copa do Mundo em um evento cada vez mais voltado para clientes corporativos e consumidores de alta renda. — Quem quer estar em um estádio com 70 mil torcedores ricos e indiferentes? Mesmo que você seja um desses torcedores, vai querer estar cercado pelos verdadeiros fãs da seleção do seu país. Existe uma preocupação real de que os preços tenham afastado esse público — afirmou Victor Matheson, professor de economia do College of the Holy Cross, em Massachusetts. A discussão, porém, não afeta os planos de Shujah Qadir. O empresário nascido no Paquistão pretende embarcar com o filho de 8 anos em um voo de 14 horas entre Dubai e a região de Boston para assistir à estreia da Noruega na Copa do Mundo, contra o Iraque, em 16 de junho. Segundo ele, o maior sonho do menino é conhecer Haaland. O garoto deixa o cabelo crescer há três anos para imitar o atacante e joga como centroavante em uma academia ligada ao Manchester City em Dubai. Qadir comprou quatro ingressos por US$ 500 cada. Inicialmente, a esposa e a filha também viajariam, mas a longa jornada reduziu o entusiasmo delas. Pai e filho devem fazer uma viagem rápida para retornar antes do fim do ano letivo. As passagens aéreas ainda não foram compradas, mas ele estima gastar cerca de US$ 5 mil por pessoa na classe executiva. — Vale a pena porque espero que ele possa olhar para trás pelo resto da vida e dizer: "Eu tinha 8 anos e meu pai me levou até Boston para assistir à estreia de Haaland em uma Copa do Mundo" — disse. Para o cientista português Mario Neto, que vive em Chicago, acompanhar Portugal ao lado da esposa e dos dois filhos pequenos é um projeto planejado há anos. Depois de inscrever todos os membros da família nos sorteios da Fifa, ele conseguiu ingressos para Portugal x República Democrática do Congo, em Houston, por cerca de US$ 400 cada, e para Portugal x Colômbia, em Miami, por aproximadamente US$ 500. A partida tem significado especial porque sua esposa é colombiana. Por meio de um clube de torcedores portugueses do qual faz parte há dois anos, também garantiu ingressos condicionais para as quartas de final, por cerca de US$ 600, e para as semifinais, por US$ 900. Caso Portugal não avance, os valores serão reembolsados. Neto montou uma planilha detalhada para projetar todas as possibilidades de classificação da seleção portuguesa e começou a reservar hotéis com cancelamento gratuito antes mesmo da divulgação oficial da tabela. No total, calcula que gastará pelo menos US$ 12 mil se Portugal chegar além das quartas de final. — É uma aventura cara — resumiu. A Copa do Mundo de 2026 reúne um número recorde de 48 seleções, que disputarão 104 partidas em 16 cidades espalhadas por Estados Unidos, México e Canadá entre 11 de junho e 19 de julho. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou esperar um torneio bem-sucedido e defendeu os preços praticados, alegando que eles refletem as características do mercado americano e a forte atuação dos revendedores. Pedalando rumo ao Mundial Para muitos argentinos, acompanhar a Copa do Mundo tem um significado que vai além do esporte. Quatro amigos — Lucas Ledezma, Leandro Blanco, Silvio Gatti e Matías Villarruel — decidiram percorrer de bicicleta a maior parte do trajeto entre Córdoba, na Argentina, e Kansas City. A viagem deve durar cerca de 50 dias e ultrapassar 7 mil quilômetros. O grupo, que se apresenta como "Todo a Pedal", já atravessou a Argentina e passou por Chile, Peru, Equador e Colômbia. Depois, embarcou em um voo até o Panamá para evitar a travessia da região do Darién e retomou a jornada sobre duas rodas pela Costa Rica. — A Copa do Mundo nos marca profundamente. Para nós, não é tudo na vida, mas é quase, quase tudo — afirmou Blanco.

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