Jornal O Globo
A Copa do Mundo de 2026 pode marcar mais um capítulo histórico na carreira de Guillermo Ochoa. Aos 40 anos, o goleiro mexicano está prestes a disputar seu sexto Mundial, feito que o colocará ao lado de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo como os únicos jogadores a alcançar essa marca na história do torneio. Capitão da seleção mexicana, Ochoa chega ao torneio com a mesma motivação que carregava quando participou pela primeira vez de uma Copa do Mundo, na Alemanha, em 2006, ainda com apenas 20 anos. Desde então, tornou-se um dos maiores símbolos do futebol mexicano, acumulando 153 partidas pela seleção principal. — Estou animado como na primeira vez. Estou trabalhando para estar em campo no dia 11, se essa for a decisão do treinador — afirmou o goleiro antes da estreia do México contra a África do Sul, no Estádio Azteca. Apesar da experiência e do status de ídolo nacional, Ochoa ainda não tem presença garantida entre os titulares. O técnico Javier Aguirre utilizou os três goleiros convocados — Raúl Rangel, Carlos Acevedo e o próprio Ochoa — nos últimos jogos preparatórios, mantendo a disputa aberta até os momentos finais antes do Mundial. O veterano, porém, demonstra tranquilidade diante da situação. — Se eu jogar 90 minutos, cinco minutos, dez minutos, um minuto ou nem entrar em campo, estarei pronto. O mais importante é que o México vá bem — declarou. A discussão sobre sua titularidade divide opiniões no país. Adrián Chávez, ex-goleiro da seleção mexicana e um dos responsáveis pela formação de Ochoa antes de sua estreia profissional, acredita que a experiência do veterano deveria pesar na decisão. — Se eu fosse o treinador da seleção, não correria riscos e colocaria o Memo. Ele já demonstrou ser um dos melhores goleiros do mundo — afirmou. Já Ricardo La Volpe, técnico que lançou Ochoa na seleção principal em 2005 e o levou para sua primeira Copa do Mundo, tem opinião diferente. Para ele, o titular diante da África do Sul deve ser Raúl Rangel. La Volpe reconheceu as qualidades históricas do goleiro, mas avaliou que a idade pode afetar aspectos físicos importantes da posição. — A idade pesa. Tenho dúvidas se ele ainda possui a mesma potência, velocidade, reflexos e capacidade de reação para alcançar bolas nos ângulos — analisou. A trajetória de Ochoa em Copas ganhou notoriedade especialmente em 2014. Após permanecer no banco nas edições de 2006 e 2010, ele assumiu a titularidade no Brasil e protagonizou uma das atuações mais memoráveis daquele Mundial no empate sem gols contra a seleção brasileira. A defesa feita em cabeçada de Neymar, praticamente sobre a linha, tornou-se uma das imagens mais marcantes da competição e ajudou a consolidar seu status de ídolo nacional. O impacto de sua carreira segue forte entre os jovens goleiros mexicanos. Em uma escola especializada na Cidade do México, comandada por Adrián Chávez, crianças e adolescentes ainda utilizam vídeos de Ochoa como referência técnica. — As defesas dele são impressionantes — afirmou Daniel Santiago, de 12 anos. A longevidade do goleiro também reacendeu o debate sobre a formação de novos talentos no país. Nos últimos anos, Ochoa passou a receber críticas de parte da torcida por continuar ocupando espaço na seleção, enquanto jovens arqueiros aguardam oportunidades. Para Chávez, o problema está menos na permanência do veterano e mais na escassez de sucessores. — No passado havia dez goleiros mexicanos com nível para chegar à seleção. Hoje conseguimos contar nos dedos de uma mão — disse. Enquanto a busca pelo próximo grande goleiro mexicano continua, Ochoa segue escrevendo sua própria história. E, em uma Copa disputada em casa, pode alcançar um recorde reservado apenas a algumas das maiores lendas do futebol mundial.
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