Jornal O Globo
A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que quase dois terços dos brasileiros (65%) consideram que Flávio Bolsonaro (PL) errou e devia ter evitado pedir financiamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso sob acusação de fraude bilionária, para o filme "Dark Horse", sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 17% avaliaram que o pré-candidato à Presidência acertou e que o pedido "não tem nada de mais" e 18%, não souberam ou não responderam. O levantamento mostra ainda que, para seis em cada dez entrevistados (60%), as conversas divulgadas entre Flávio e Vorcaro "levantam suspeitas" — e 58% apontaram que o senador "pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso do Banco Master". Já para 19%, as tratativas foram "normais", e 27% disseram acreditar que Flávio não está envolvido. Nas duas perguntas, 21% e 15% não souberam ou não responderam, respectivamente. A percepção de que Flávio "errou" foi majoritária entre lulistas (76%), esquerdistas não lulistas (87%), independentes (67%) e direitistas não bolsonaristas (53%). Entre os bolsonaristas, houve empate entre quem considerou que o pré-candidato devia ter evitado pedir financiamento e quem não viu nada de mais na negociação: 42%. Entre os bolsonaristas, aliás, um terço (33%) disse que as conversas entre Flávio e Vorcaro "levantaram suspeitas" enquanto 46% avaliaram como "normais". Por outro lado, apenas 15% desse estrato afirma que o senador pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso e 72% confiam que ele não está envolvido. Além disso, 29% dos bolsonaristas considera que Flávio sabia da corrupção do banqueiro e 62%, que não sabia. O instituto ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. Com nível de confiança é de 95%, a pesquisa foi registrada junto à Justiça Federal sob o número BR-07661/2026. A pesquisa aponta o impacto negativo da divulgação do elo de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro na percepção do eleitorado e também o potencial para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explorar essa relação: apenas 55% dos brasileiros afirmaram que já sabiam das conversas e negociações entre o filho do ex-presidente e o banqueiro hoje preso. Isto é, 44% não sabiam e 1% não souberam ou não responderam. Para 6%, tudo isso aumentou a vontade de escolhê-lo nas urnas. Por outro lado, a sondagem mostra que, para metade do eleitorado (50%), as notícias sobre Flávio e Vorcaro não afetam sua intenção de voto no senador: disseram que essa intenção "continua igual, já que não votaria nele". E 26% afirmaram que continua igual, porque ainda votariam no nome do PL. O percentual de pessoas que atribuíram às revelações uma diminuição da intenção de voto em Flávio foi de 12%, e 6% não souberam/não responderam. Mensagens e áudios revelados pelo portal “Intercept Brasil” mostram que Flávio pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o projeto. No total, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados. Além disso, o senador confirmou que visitou o banqueiro em casa após a primeira prisão dele, no fim do ano passado — segundo Flávio, para "botar ponto final" nas negociações. Com a campanha sob pressão após a revelação, o senador passou a apostar em propostas de endurecimento da legislação penal e no relacionamento com o governo dos Estados Unidos para tentar estancar sua principal crise desde que confirmou a pré-candidatura ao Planalto. Aliados do senador avaliam que a foto ao lado do presidente Donald Trump, que classificou facções criminosas brasileiras como terroristas, ajuda a reforçar a associação internacional do filho de Jair Bolsonaro num momento em que a pré-campanha enfrenta questionamentos dentro da própria direita e passou a conviver com discussões sobre alternativas presidenciais ao senador, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
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