Vogue Brasil
Pele descansada, saudável, com viço; melhor versão de si mesma. Esses foram alguns dos desejos que mais apareceram em uma recente pesquisa realizada pela Jeisys Medical Brasil sobre beleza feminina. O resultado mostra que, embora a prevenção do envelhecimento continue sendo uma preocupação importante, a busca já não está necessariamente ligada à ideia de parecer mais jovem. Entre as mulheres com mais de 50 anos, 44,4% afirmam que seu objetivo é ser a melhor versão da idade que têm hoje. Outras dizem querer parecer descansadas, saudáveis e com a pele mais bonita — não mais jovens. A mudança pode parecer sutil, mas representa uma revolução. É que o conceito de beleza está trilhando, agora, um caminho baseado em saúde, funcionalidade, regeneração e longevidade da pele. Não por acaso, as maiores preocupações hoje vão muito além das rugas. Aparência de cansaço, perda de firmeza e qualidade da pele passaram a ocupar o centro das preocupações. Menos correção, mais vitalidade. Menos transformação, mais preservação da identidade. A indústria percebeu o movimento e começou a apresentar soluções. Nos últimos anos, algumas das maiores empresas de beleza do mundo passaram a investir pesado em biotecnologia, medicina regenerativa, genética, inteligência de dados e pesquisas específicas sobre menopausa. O objetivo é compreender os mecanismos biológicos que fazem a pele envelhecer, sobretudo a feminina. A pele menopausada entra no laboratório Há tempos a indústria vem estudando a pele madura como uma categoria única. Mas, agora, os cientistas entenderam que existe uma diferença importante entre uma pele envelhecida e uma pele menopausada. A queda dos níveis de estrogênio desencadeia uma série de alterações biológicas que afetam diretamente a estrutura cutânea, promovendo a redução da produção de colágeno, perda de densidade, ressecamento, afinamento e diminuição da capacidade de regeneração. E foi justamente para entender melhor esse processo que Avon e Natura desenvolveram a primeira pele bioimpressa capaz de reproduzir os efeitos da menopausa. Criado no Centro de Inovação da Avon, no Brasil, o modelo utiliza células de mulheres brasileiras submetidas a um ambiente hormonal com redução de estrogênio e progesterona, simulando as condições biológicas dessa fase da vida. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram observar, em ambiente controlado, como a pele reage à queda hormonal em nível molecular. A expectativa é que essa tecnologia acelere o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e específicos para mulheres no climatério e na menopausa. A era da regeneração Se o colágeno foi o símbolo da primeira geração do anti-aging, os exossomos aparecem como uma das apostas mais promissoras da chamada medicina regenerativa. Eles funcionam como pequenos mensageiros biológicos responsáveis pela comunicação entre as células. Segundo o dermatologista Seme Cury, o envelhecimento compromete justamente essa capacidade de troca de informações. “A pele madura não precisa de correção. Precisa de reconexão”, afirma. "Ao estimular mecanismos ligados à produção de colágeno, elastina e reparação tecidual, os exossomos atuam em uma camada mais profunda do envelhecimento. Em vez de corrigir apenas a superfície, eles procuram restaurar processos biológicos fundamentais para a saúde da pele", explica o dermatologista. A proposta representa uma mudança importante no foco dos tratamentos, buscando recuperar a capacidade regenerativa dos tecidos e não apenas diminuir as marcas. O DNA como mapa da pele Outra fronteira que avança rapidamente é a personalização do skincare baseada em genética. A partir de uma simples amostra de saliva, já é possível identificar predisposições relacionadas à degradação do colágeno, tendência à pigmentação, processos inflamatórios, sensibilidade cutânea e capacidade antioxidante. “O que vemos no espelho é apenas a ponta do iceberg”, explica a dra. Annete Marum, nutricionista com doutorado em genética. “Duas pessoas podem apresentar a mesma mancha ou a mesma ruga por mecanismos biológicos completamente diferentes.” Essa nova geração de testes permite que médicos passem a trabalhar o envelhecimento da pele de maneira preditiva, antecipando alterações antes mesmo que elas se tornem visíveis. "Com essa leitura, o tratamento deixa de ser padronizado e passa a ser direcionado, atuando simultaneamente em diferentes vias biológicas. Isso não só melhora a resposta clínica, como também reduz recidivas, aumenta a durabilidade dos resultados e permite trabalhar de forma mais preventiva”, diz a farmacêutica Maria Eugênia Ayres. A tendência já começa a chegar ao mercado consumidor. O Grupo Boticário, por exemplo, vem explorando iniciativas ligadas à genética e personalização por meio de sua conexão a Genera, reforçando um movimento que aponta para tratamentos cada vez mais individualizados. Reconstruir, não preencher Nos consultórios, a transformação segue a mesma direção. Hoje os dermatologistas falam cada vez mais em densidade, firmeza, qualidade tecidual e contornos faciais. Não por acaso, a flacidez aparece entre as principais preocupações das mulheres na pesquisa da Jeisys Medical Brasil. Entre aquelas que buscam tratamentos estéticos, 63,9% afirmam que a melhora da firmeza da pele está entre os principais objetivos. Segundo a dermatologista Ligia Novaes, a nova geração de tecnologias trabalha justamente na reconstrução da arquitetura da pele. Entre os destaques estão o Density, equipamento que combina radiofrequência monopolar e bipolar no mesmo disparo para estimular colágeno e recuperar densidade e volume facial, e o LinearZ, ultrassom micro e macrofocado de alta intensidade voltado para melhorar firmeza, contornos e sustentação dos tecidos. “A principal queixa das mulheres maduras hoje é a perda de firmeza. Ela traz junto aquela sensação de rosto cansado, menos iluminado e sem definição. O que essas tecnologias fazem é estimular mecanismos naturais da própria pele, devolvendo sustentação de forma progressiva”, explica. Em vez de criar volume artificial, a proposta é estimular fibroblastos, reorganizar fibras de colágeno e recuperar estruturas que foram sendo perdidas ao longo dos anos. O resultado mais buscado agora é o de uma aparência mais descansada, firme e saudável. A beleza da longevidade Quando gigantes globais da cosmética começam a trocar a palavra anti-aging por longevity, fica claro que estamos diante de uma grande mudança. Uma das apostas mais recentes é a nova linha da Lancôme, Absolue Longevity MD. A estrela da tecnologia é o Mitopure, uma forma altamente purificada de Urolitina A, desenvolvido pela empresa suíça de biotecnologia focada em longevidade, Timeline, e patenteada pelo grupo L’Oréal até 2034. Trata-se de uma molécula com capacidade de estimular a mitofagia — processo pelo qual células eliminam mitocôndrias envelhecidas e menos eficientes, favorecendo a renovação energética celular. Em outras palavras: o foco deixa de ser apenas a superfície da pele e passa a mirar as suas “usinas de energia”. A linha foi estruturada em três protocolos diferentes, de acordo com o estágio biológico da pele. O Anticipate, voltado para peles mais jovens, busca preservar a resiliência celular antes do aparecimento dos primeiros sinais. O Intercept, indicado para a faixa intermediária, combina ativos para atuar sobre firmeza, elasticidade e renovação celular. Já o Reset, desenvolvido para peles maduras, incorpora ingredientes potentes para atuar em marcadores mais avançados de envelhecimento cutâneo. Na nova era dos cuidados com a beleza, não basta fazer a pele parecer mais jovem. O objetivo, agora, é ajudá-la a funcionar por mais tempo como uma pele jovem.
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